domingo, 7 de julho de 2013

A Holanda está livre da crise?

Foto Reuters

Não, não está. Pior ainda, ela não somente está na crise como faz parte dela. O brasileiro na Holanda perguntará, “mas está tudo bem aqui”, “há várias ofertas de emprego”, “nenhum jornal fala disso”, e assim vai. Entretanto, os diques não protegerão a Holanda dos problemas externos e contribuirão ainda mais para ofuscar a dimensão dos problemas domésticos. 

Em recente artigo publicado pelo Der Spiegel, intitulado “Holanda é vítima da crise econômica” (02/04/13), o jornal foi categórico ao afirmar, “Nenhum país da zona do euro está tão profundamente endividado como a Holanda”. Este é um fato, os bancos holandeses registraram 650 bilhões de euros em empréstimos até o fim de 2012. A recente nacionalização do SNS Bank é uma prova de que o governo holandês já está atuando para amenizar os efeitos da crise. Em seu site oficial, próprio governo dos países baixos considerou que a nacionalização “tornou-se necessária porque o SNS se encontrava em sofrimento agudo por conta de seus problemas imobiliários”. 

O The Wall Street Jornal (08/05/13) vai um pouco mais longe e de forma alarmante não exita em dizer que “a austera Holanda irá detonar o Euro”. Alguns dados realmente não podem ser ignorados, como vem fazendo os principais noticiários holandeses. Difícil seria acreditar que De Telegraaf colocasse em sua primeira página que as dívidas dos consumidores na Holanda atingiram 250% do rendimento disponível (mais altas do mundo). 

Muitos brasileiros na Holanda ainda vivem em seu “conto de fadas” ou na “ilha da fantasia” acreditando que “tudo será para sempre, agora tanto faz”, como diria a Cássia Eller. Nossos anos de sofrimento nos períodos hiperinflacionários, nos apertos dos anos 90 e da falta de resolução de problemas estruturais que ainda perduram até hoje, talvez nos ceguem quando desembarcamos em países como a Holanda, onde praticamente tudo está resolvido. Esta negação talvez nos impeça ver os preços dos imóveis estavam altos em determinado momento na Holanda e subitamente começaram a cair. Mas e daí? O que isso impacta no dia-a-dia? 

Os diques financeiros que protegeram a os Países das turbulências do mar da crise global se romperão cedo ou tarde e colocarão o sistema financeiro literamente debaixo d´água. Óbvio que o Governo Holandês sabe disso e já trabalha no sentido de minimizar os impactos, estando preparado, como me confidenciou um colega holandês em uma reunião de um grupo de parlamentares na Frísia em 2011 (comissão parlamentar de agricultura e meio ambiente), a agir drasticamente para salvar a sociedade. Para tanto, há uma lista de prioridades; primeiro, salvar o sistema financeiro, custe o que custar, a todo custo, mesmo que isto custe a saída da zona do euro; segundo, proteger a Casa Real, símbolo da unidade do país; terceiro, a sociedade holandesa em geral, entendidos como holandeses natos ou naturalizados. 

Alguns sinais claros desta movimentação já foram dados, tais como as mudanças na lei imigração ou a aprovação pelo parlamento holandês e de ordem de expulsão de requerentes de asilo (em torno de 26 mil pessoas). Há também um novo Rei, Willem-Alexander, que provavelmente terá mais vigor para encarar possíveis problemas. Mark Rutte também está se esforçando na aprovação e condução de medidas de austeridade. 

É provável que logo as agências de classificação de risco tirem o triplo A holandês (Standard & Poor’s, Fitch, Moody’s), mas isto não significa que o país está insolvente. Longe disso, a proporção do endividamento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) holandês é de 71,2%, ou seja, em tese a conta é pagável. Na Alemanha este percentual chega a 81,9%, na França no Reino Unido alcança 90%. Já no bloco do “Deus me livre, salve-se quem puder”, encontram-se Portugal, com 123,6%, Irlanda com 117,6%, Itália com 127% e Grécia com 156,9% (Eurostat, 2013). Cadê a Espanha? Está com 84,2% de endividamento em relação PIB, o que prova que não é somente esta relação que entra na conta, há na verdade uma conjunção de variáveis. 

Mas vamos a parte prática. Aquele mundo das mil maravilhas, onde o sujeito comprava um imóvel de 400 mil euros e o banco carinhosamente emprestava mais uns 50 ou 70 mil euros para uma ‘reserva’, não existe mais. O imóvel que o cidadão achava que poderia lucrar com uma possível valorização para venda não chegará nem a 350 mil euros, e o valor tende a cair ainda mais. A lógica parecia simples, bastava guardar a ‘reserva’ e esperar a valorização do imóvel e haveria dinheiro suficiente para saldar os empréstimos e ainda renderia um super lucro. Enquanto tudo mundo tiver seus empregos e salários para pagar a conta, tudo bem, mas e se algo der errado?

O efeito de viver uma vida além do que os próprios meio financeiros permitem é uma tragédia anunciada. Em determinado momento as linhas de crédito se fecham, e neste momento, quando as contas deixam de ser pagas em massa, qualquer sistema entra em colapso. Replicando a fala de Jörg Rocholl, presidente da Escola Europeia de Administração e Tecnologia em Berlim (entrevista ao Der Spielgel), fica fácil compreender a dimensão do problema: "Os consumidores estão endividados demais e não conseguem pagar os juros dos empréstimos. Isso causa problemas aos bancos, que já não estão fornecendo dinheiro suficiente para a economia. Isso causa uma retração econômica e aumento do desemprego, o que dificulta ainda mais o pagamento dos empréstimos”. Bingo!

A extração do gás em Groningen é outro problema a ser resolvido. Descoberta em 1959, estima-se que a reserva até 2012 tenha rendido ao país algo em torno de 250 bilhões de euros, 11,5 bilhões somente em 2012 (segundo El Pais no artigo “Holanda asume el riesgo de seísmos a cambio de extraer gas natural”, 18/02/13). Porém, desde 1986 vem ocorrendo tremores de terra na região, que em geral oscilam entre 3,2 e 4,2 graus de magnitude na escala Richter. Estudos e dados oficiais revelam que os tremores têm potencial para alcançar 5 graus nesta escala. Reduzir a extração, ainda que em baixos níveis (20%), custaria aos cofres holandeses aproximadamente 2,2 bilhões euros por ano.

Com todos estes dados em mãos, o brasileiro na Holanda, que recebeu o melhor do país, também deve preparar-se para possíveis ondas inquietas nos litorais financeiros holandeses. Historicamente pragmáticos, eles sabem que jamais se devem menosprezar as “marolinhas” da vida e agirão com firmeza para defender seu status quo, ainda que sob medidas radicais para defender a estabilidade do país. 

Em um cenário extremo, existe sim a possibilidade de ruptura do euro. Se isto acontecer, e se for a Holanda iniciar a debandada do euro, apertem os cintos, pois o tombo global será feio, especialmente nos países desenvolvidos. O que não justifica é o brasileiro na Holanda continuar em berço esplêndido crente que o sistema é perfeito. Nenhum sistema é perfeito.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Closing Time

Hora de fechar as portas, de compreender que tudo tem um ciclo de vida, com começo, meio e fim, e não adianta postergar, sempre é chegada a hora de um novo rumo, outros objetivos, e como diz a canção “Closing Time”, do Semisonic, todo novo começo vem do fim de um algum outro começo. 

Quando no final de 2010 fui selecionado para o doutorado sanduíche na Universidade de Wageningen, passei a coletar quaisquer informações possíveis sobre a Holanda, a cidade e a universidade, passando desde as documentações a aspectos culturais do país em que iria residir. Encontrei muita coisa, muitos blogs, muitos sites, entre eles um que é referência, o “Brasileiros na Holanda”, administrado por Márcia Curvo, a qual considero hoje uma grande amiga na Holanda. Porém, pouco encontrei de forma sistemática e sintética sobre Wageningen nos moldes em que precisava para me preparar para a viagem, a não ser os relatos da Carla Mello, do Blog “Carla na Holanda”, a qual não cheguei a conhecer pessoalmente, mesmo estando em Wageningen no mesmo período que ela. 

Decidi então criar e escrever meu próprio blog com algumas informações sobre Wageningen e sua Universidade, porém sem a pretensão de encerrar todos os assuntos, afinal, há muito o que se falar, assim fixei-me didaticamente nos principais pontos, desde o começo, passo a passo, de como chegar, instalar-me, residir e partir de Wageningen. E o meu período foi curto, 28/05/2011 a 28/11/2011, apenas seis meses, que hoje tenho certeza, deveriam ter sido 12 meses. Entretanto o que vale não é quantidade do que se vive, mas a intensidade, e estes meses foram intensos, alucinantes, marcantes e inesquecíveis em minha experiência estudantil, tratando-se de um momento que desejaria a todos os estudantes, em quaisquer níveis e em qualquer idade. Nada se compara à experiência de sair de seu confortável mundo e vê-lo como ele realmente é, por um outro ângulo, outros olhos. E olha que quando me refiro à palavra “mundo”, falo de todos os mundos, desde o acadêmico ao pessoal. 

Não conheci tantas pessoas quanto gostaria, não vistei todas as cidades e países que queria, acho até que estudei menos do que deveria. Em contrapartida isto dá um gosto de quero mais, de que o pós-doutorado está logo ali e que definitivamente deixo uma parte de mim na Holanda, dizendo um “até breve”, logo estarei por aí, encontrando os amigos ocasionalmente num canto qualquer da Hema, no Grote Markt ou no Albert Heijn (que todos reclamam do preço mas todo mundo compra lá). 

Quem já passou por Wageningen sabe que há uma simpática brasileira por lá, a mãe do Dudu, a Anabele, essa sim entende de holandeses e de Wageningen e é praticamente uma cicerone da brasileirada, a quem agradeço por fazer este importante papel agregador aos que chegam de pára-quedas na cidade. Quer encontrar mais brasileiros? Participe da lista_brwur@yahoogroups.com , estão todos lá. 

Agradeço também ao Rural Sociology Group (RSO) da Wageningen University (WUR), onde fui orientado por Jan Douwe van der Ploeg, um ícone vivo nos estudos de Sociologia Rural. Aos colegas, um abraço especial para Femke Hoesktra (Holanda) e Gina Vilarreal (México), as lideres dos doutorandos, abraço qual por meio delas estendo a todos os outros colegas. Sou grato também a Douwe Hoogland, meu anfitrião nos dias em que estive na Frísia, o qual considero um legítimo amigo holandês 

Chega de palavras, hora de escrever minha tese, vamos às imagens, na verdade um vídeo, onde eu e minha esposa Jackeline damos um até breve, e nele, nossos amigos e colaboradores deste blog, Andrea, Hudson, Lucas, Di e Marcela. Super abraço a todos.




quinta-feira, 15 de março de 2012

Estudando o Mundo: Um imenso programa de bolsas poderá impulsionar o crescimento econômico do Brasil

Foto: AFP
Fonte: The Economist

Vender as proezas tecnológicas e o crescente mercado de TI de seu país foi a agenda de negócios de Dilma Roussef na grande feira de Hannover em 5 de março. Mas a presidente do Brasil fez questão de posar para fotos com jovens compatriotas que no mês passado começaram a estudar em universidades alemãs sob seu novo programa governamental de bolsas de estudos, o “Ciência Sem Fronteiras”. 

Até o final de 2015 mais de 100.000 brasileiros, metade deles estudantes de graduação, outra metade estudantes de doutorado, passarão um ano ou mais no exterior nas melhores universidades ao redor do mundo estudando temas como biotecnologia, oceanografia e engenharia de petróleo, os quais o governo considera como essenciais para o futuro da nação. Isto irá custar 3 bilhões de reais (1,65 bilhões dólares), um quarto dos quais virá de empresas e do resto do contribuinte brasileiro. 

O “Ciência Sem Fronteiras” é mais ousada tentativa do Brasil de mover a engrenagem econômica. A tendência da taxa de crescimento do país, de 4 a 4,5%, é ligeiramente inferior à média latino-americana e muito mais lenta do que nos outros países do BRIC. As autoridades esperam que a melhoria da qualidade da força de trabalho poderá fazer uma grande diferença, mas levará algum tempo para surtir efeito. 

Os empregadores reclamam da dificuldade de encontrar pessoal bem qualificado, o desemprego está em um baixo registro, brasileiros com nível superior ganham 3,6 vezes mais do que de os com ensino médio; tais números não são vistos em nenhum país no âmbito da OCDE, o grupo de países mais ricos. Funcionários treinados em disciplinas de ciências e afins são particularmente escassos. Segundo o IPEA, muitos dos 30.000 engenheiros que o Brasil produz a cada ano vêm de instituições medíocres e que, de qualquer maneira, o país precisa de duas vezes esse número. As autoridades esperam que os estudantes voltem com novas idéias captadas no exterior e elevem os padrões nas universidades de origem também. 

Universidades e governos estrangeiros estão “saltitantes” com a chance de ensinar os alunos brasileiros. Os Estados Unidos já se inscreveram para levar 20.000, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Itália terão de 6.000 a 10.000 cada. Os Retardatários já estão lutando para atrair o resto. Os brasileiros vão pagar taxas integrais e os países de acolhimento espiarão o retorno de longo prazo na construção de contatos mutuamente lucrativos, nos negócios, bem como na educação. 

"A escala e a velocidade deste programa são sem precedentes", diz Allan Goodman, do Instituto de Educação Internacional, um grupo sem fins lucrativos que gere o programa para universidades americanas. Ele está organizando colocações de três meses na indústria para todos os seus visitantes brasileiros. A Universidade de Edimburgo espera os seus primeiros alunos bolsistas brasileiros para setembro. Ela já tem ligações com a Petrobras, empresa de petróleo do Brasil controlada pelo Estado, e está abrindo um escritório regional em São Paulo, seu terceiro depois de Pequim e Mumbai, para aproveitar o que ele espera venha a ser um crescente número de alunos. 

Até agora, poucos brasileiros tem estudado no exterior. Os Estados Unidos são o destino mais popular, ainda no ano passado havia apenas cerca de 9.000 brasileiros em seus campi (excluindo estudantes da língua). Os contingentes chineses e indianos juntos chegaram a 260.000. Os brasileiros que têm diplomas estrangeiros tiveram uma influência desproporcional de volta para casa. Na década de 1960 e 1970 o governo pagou por doutores no exterior na exploração de petróleo, pesquisa agrícola e design de aeronaves. O Brasil é hoje líder mundial em todos os três campos.

Tradução: Márcio de Araújo Pereira

sexta-feira, 2 de março de 2012

Estudando no exterior, com filhos



Quando recebemos a notícia da aprovação do estágio pós doutoral em Wageningen, nossa filha Marcela estava completando três meses. No entanto tivemos mais três meses para preparar todos os detalhes financeiros, de documentação e principalmente psicológico para encarar um ano em um país totalmente diferente com o que estamos acostumados e somente “nós três” (ainda mais vindos de uma família bem grande). Neste período todos perguntavam como seria a adaptação da Marcela aqui e sempre respondíamos que seria a melhor possível, pois com apenas 6 meses, dali pra frente seria tudo normal para ela, já que não conhecia quase nada.


Preparadas as bagagens (duas malas de 32 kg) uma praticamente foi cheia de fraldas, pois não sabíamos o que ia acontecer... Foi a primeira vez que a Marcela viajou de avião e encarou uma viagem de 15 horas (pois ficamos 4 horas parados na pista do aeroporto de Guarulhos aguardando um “problema técnico” com bagagens).

Chegamos em Wageningen sem moradia definida (apesar de horas pesquisando alguma oportunidade pela internet) - aqui é muito difícil encontrar moradia quando se tem crianças, pois é uma cidade considerada para universitários e a maioria dos estudantes vem sozinhos ou, no máximo, em casal. Resolvemos ficar uns dias em um Hotel, onde na mesma semana da chegada fomos visitar um apartamento (que fizemos contato com uma imobiliária ainda no Brasil). Pura coincidência, mas o dono desse blog era o morador anterior do apartamento, e desde daí já nos deu a dica de “fecharmos” o contrato para um ano (até o final do estágio), ou seja, todo o período que ficaremos aqui. 


Devidamente instalados, deu início ao estágio da mamãe e o papai ficou com a Marcela em casa. Com o endereço definido tudo fica mais fácil - a Marcela recebeu mais correspondências que a gente. Foram pedidos de calendário de vacinação, convite para a primeira consulta, e o bom de tudo, de graça. No segundo mês que estávamos aqui a Marcela já recebeu sua primeira vacina européia (o calendário de vacinação é praticamente o mesmo do Brasil, apenas tem um acréscimo de uma vacina de pneumologia, perfeitamente compreensível devido ao clima). A cada dois meses são marcados appointments para uma avaliação médica periódica (seria tipo o SUS do Brasil). Mesmo com todo o cuidado foi inevitável o surgimento de um eczema na pele da Marcela, devido ao clima extremamente seco dentro de casa (por causa do sistema de calefação). Várias “b yhnb fzzfxzz Mn “ (esta parte foi escrita pela Marcela) foram as “extra” consultas (estas feitas pelo convênio, médico da família - huisarts), mas tudo que foi prescrito não adiantou, apenas quando foi encaminhada para um especialista, e usamos a pomada especifica para o tal eczema, tudo melhorou, e melhor ainda, toda medicação será reembolsada pelo convenio. 



Aqui a Marcela começou a engatinhar, andar, viu neve, comeu batata frita, fez aniversário de um aninho, e estamos planejando, em breve que ela frequente alguns dias na daycare (a creche daqui, subsidiada pelo governo) para se integrar com as crianças. Vimos por aqui outros casais que vieram com filhos mais velhos que a pequena Marcela e se adaptaram rapidamente (colocando seus filhos em creches e/ou escolas daqui). 



Devido ao orçamento restrito pelo elevado preço da moradia, ainda é possível realizar viagens, desde que bem planejadas, nada impede viajar com crianças, mas é preciso atentar-se na questão hospedagem, meio de transporte e aparatus necessários à pequena (visando seu bem estar durante a viagem). 

Após seis meses morando aqui podemos chegar a uma conclusão de que mesmo com filhos pequenos não existe motivo para desistir de uma oportunidade de morar em outro país, conviver com outra cultura, vivendo experiências únicas, e voltar para o Brasil com uma bagagem diferenciada por fazer um estágio no exterior.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Holanda oferece bolsa integral para Mestrados e Doutorados


Fonte: 180 Graus.com in: Brasileiros na Holanda

O Governo Holandês está com bolsas integrais para cursos de curta duração, mestrado e doutorado em diversas áreas de estudo. Financiado pelo Governo Holandês, o programa oferece cursos ministrados em inglês para profissionais brasileiros. O objetivo é estimular a capacitação profissional de países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Para isso foi criado o NFP - The Netherlands Fellowship Programmes.

O programa é voltado para profissionais de meio de carreira. O candidato deve estar empregado e escolher um curso que contribua para o desenvolvimento da organização em que ele trabalha.

Um dos sistemas educacionais mais internacionalizados do mundo, a Holanda tem uma política de estímulo à diversidade cultural que privilegia a atração de talentos globais. Com 80% das universidades de pesquisa listadas entre as 200 melhores do mundo pelo *Times Higher Education Ranking*, o país é a prova de que essa fórmula pode dar certo.

Para atrair estudantes estrangeiros de alto desempenho, o Governo holandês aposta no rigoroso controle de qualidade das suas universidades e na oferta de bolsas de estudos a alunos de excelência. O NFP complementa o salário que o beneficiado deveria continuar a receber enquanto está fora do país de origem. A bolsa também pode cobrir custos de anuidades, vistos, viagens e de pesquisa para a tese.

Os três principais requisitos são:

- Ser apoiado pela sua empresa;

- Proficiência no idioma inglês;

- Ser aceito pelo curso escolhido na universidade holandesa;

Quem não se enquadra no perfil pode tentar participar dos programas de bolsas institucionais oferecidos pelas universidades holandesas. Ao todo, são mais de 60 opções para estudantes brasileiros. Os critérios de seleção

variam de acordo com a instituição e o curso escolhido, mas inglês fluente é sempre mandatório.

A Nuffic Neso Brazil, fundação subsidiada pelo Ministério da Educação Holandês, orienta e informa gratuitamente estudantes interessados em ingressar no ensino superior do país. Para conhecer os cursos e obter mais

informações sobre o NFP e outras opções de bolsas, acesse www.nesobrazil.org/nfp2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O inverno em Wageningen

Por Edilaine P. Batista Mendes

Centro de Wageningen
Foto: Lucas W. Mendes

Enfim chegou neve de verdade! No ultimo dia 3 de fevereiro uma nevasca deixou a Holanda toda branquinha. Por mais de 4 horas, Wageningen permaneceu recebendo do céu lindos floquinhos de neve. 

Todo brasileiro que vem a primeira vez para um país do hemisfério norte tem o desejo de vivenciar esse momento, que é mágico. Parecíamos estar em um set de filmagem, como em um filme a neve caia sobre nós num cenário encantador! 

Não tem como não se encantar, algo surreal para você que vê pela primeira vez o milagre da natureza. Ainda mais nós que viemos de um país nada frio!!! 

Foto: Lucas W. Mendes

A neve chegou trazendo alegria para todos, inclusive os holandeses, que saíram de suas casas e até mesmo mais cedo do trabalho para aproveitarem o momento e patinar com a família. 

Fomos surpreendidos ao chegar no dique e nos depararmos com centenas de holandeses brincando na neve e patinando as margens do rio Reno. 

Mais a alegria realmente não foi geral. O país praticamente parou por algumas horas. Trens quebraram, ônibus atrasaram e vôos foram cancelados. A alegria de alguns foi a desgraça de outros, que perderam compromissos, viagens ou não conseguiram chegar em casa tão cedo. A Holanda se mostrou um tanto desorganizada em se tratando de uma nevasca como essa. 

Mesmo assim... muita diversão no primeiro dia de muita neve! Compras, passeios diversão, não deixaram de acontecer para aqueles que enfrentaram o gelo e saíram pela cidade. 

A neve é linda, mas requer certos cuidados. A atenção é imprescindível para aqueles que precisam sair para o trabalho, compromissos ou diversão. É importante estar preparado para enfrentar os desafios de viver sob o gelo. Sapatos especiais, roupas adequadas e até mesmo o espírito paciente. 

Foto: Lucas W. Mendes

O transporte se torna mais lento em virtude dos perigos, por isso cuidado ao andar de bicicleta! A alegria pode se tornar em tristeza com os acidentes. Não deixe de sair de casa por causa do frio. Basta se preparar e curtir! 

Vale a pena cada minuto. Quando você andar na neve vai sentir-se como pisando em um monte de maizena! Sim, isso mesmo... é muito engraçado! O silêncio que impera na cidade quando esta nevando é único. A beleza dos detalhes formados pela neve nas árvores, carros, casas, etc... Ah!!! Não tem preço. 

Edilaine e Lucas

Não tenha medo. Encare a neve. Tire fotos, brinque, divirta-se! Depois corra pra casa se aquecer com água morna ou até mesmo com o secador de cabelo! Acredite, dói muito sentir os dedinhos congelando!!! 

A previsão é de que esse seja o inverno mais rigoroso dos últimos 30 anos! (http://glo.bo/y4N0VH). 

Bom, desde que você esteja disposto a buscar a felicidade em todos os lugares e momentos, será realmente inesquecível! Mais não deixe de se cuidar! 

Bom inverno holandês pra você! 



Edilaine P. Batista Mendes.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A complexa readaptação ao Brasil



Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
(...)

Estas estrofes iniciais da “Canção de Exílio” de Gonçalves Dias, assim com todo o poema original exemplificam o sentimento que se tem pela terra natal. Escrita em Coimbra no ano de 1843, cidade a qual tive a oportunidade de conhecer quando da minha visita a Portugal em novembro de 2011, remete-nos logo ao Brasil por ter dois versos citados no Hino Nacional - Nossos bosques têm mais vida/Nossa vida mais amores

Sim, o céu aparentemente tem mais estrelas e é imensamente mais azul, o verde é mais verde e o sol dá suas caras quase todos os dias, algo bem diferente dos dias cinzentos do norte Europeu. Afora as qualidades climáticas e aos vínculos afetivos e famíliares que fazem dos primeiros dias do retorno ao Brasil uma boa novidade, os dias subsequentes trarão uma inevitável crise de identidade, primeiro pela adaptação cultural ocorrida à cultura estrangeira, e no caso da Holanda este fator é mais profundo ainda, afinal trata-se de um país situado no topo dos melhores rankings de qualidade de vida e renda per capita no mundo, estando anos luz à frente dos baixíssimos índices que ainda mancham a economia brasileira, não importa quanto nosso PIB esteja nas alturas ou sejamos 6ª, 5ª ou até 4ª economia do mundo, ainda continuaremos um país pobre enquanto a desigualdade predominar e nossa infraestrutura permanecer precária em todos os segmentos.

Logo no desembarque no Aeroporto de Guarulhos, por onde chegam ao Brasil mais de 10 milhões de passageiros internacionais por ano (fonte: Infraero, 2010), é possível constatar que neste ritmo não estaremos preparados para eventos internacionais do nível de uma Copa do Mundo ou Jogos Olímpicos. Na verdade embarcar na Schiphol e desembarcar em Guarulhos é um choque de realidade, não apenas pela infraestrutura, mas pela qualificação da mão de obra, um fator visível e gritante aos olhos. A fragilidade do sistema aeroportuário está presente nos aeroportos Brasil afora, uns com maior ou menor grau problemas, mas em geral nenhum está devidamente preparado, porém há uns bem piores que os outros, como no caso do aeroporto de Internacional de Campo Grande, onde tentei me colocar na pele de um visitante estrangeiro, acostumado com as facilidades de transporte público e que não deseja submeter-se aos altos preços dos taxis, tentando encontrar um ônibus ou um simples “transfer” para chegar ao seu destino. Simplesmente não há opções, ou seja, vivemos no país da imobilidade urbana. 

Chocante mesmo é confrontar os preços de produtos que na Holanda custam 3,00€ e no Brasil podem alcançar até R$ 63,00, como no caso de um determinado chocolate belga que eu costumava comprar na loja Action. Mas não fica somente nisto, pois dado o aquecimento da economia local os preços foram às alturas, e isto vai desde os alimentos básicos ao vestuário. Se você está na Holanda neste momento e ainda tem alguma dúvida se compra alguma coisa ou não, não passe vontade, compre! Só para citar uma comparação, comprei na Media Market uma câmera fotográfica profissional por 389,00€ (R$ 975,00), o mesmo produto no Brasil não sai por menos de R$ 2.000,00. No Brasil, infelizmente, por mais que as pessoas estejam com um pouco mais de dinheiro no bolso, o acesso a determinados produtos ainda é restrito em função dos altos preços. A fragilidade dos serviços também é sentida, especialmente em relação à internet. Os 10 megas que pago no Brasil não são nem de perto os 10 megas eu tinha na Holanda, sem falar novamente nos preços, que já começam a se ajustar, mas a disparidade é evidente. 

O aspecto “qualificação” não só preocupa como é desolador, ficando claro o descaso de décadas com a educação em todos os níveis. De quem é a culpa? Nem tentarei responder, a história dirá. O que é preciso se ter em mente é que ainda há tempo para mudar, afinal, conforme recente pesquisa da Revista The Economist nosso sistema educacional evoluiu de “desastroso” para “muito ruim”(triste realidade), ou seja, é grave, mas ainda tem solução. Não faço coro ao pessimista que acreditam que não há soluções e que transformam as vitimas deste péssimo sistema em compulsórios culpados pelas oportunidades que nunca lhes foi dada. 

Na volta ao Brasil você também sentirá falta da comodidade que os trens trazem à vida do cidadão comum. Faço parte da última geração que teve a oportunidade de viajar no verdadeiro “Trem do Pantanal” e que se lembra muito bem do sucateamento e desmantelamento da RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima) e FEPASSA (Ferrovia Paulista SA) nos anos 80 e da privatização no inícios dos anos 90. Desta forma, uma decisão estratégica de caráter político-econômico ocorrido nos quartéis dos anos 70, optando-se pela malha rodoviária em detrimento da malha ferroviária, reflete diretamente na vida dos cidadãos brasileiros na segunda década dos anos 2000. 

A complexidade da adaptação se dá porque de alguma forma nos tornamos holandeses demais para os brasileiros, mas ainda muito brasileiros para os holandeses. Seus pais, parentes, amigos e colegas não entenderão, por mais que você tente explicar, não compreenderão as mudanças que ocorreram, por que você voltou tão crítico ou por que houve mudança em suas percepção sobre muitas coisas, ou sobre o mundo. Prepare-se para efeitos que esta experiência no exterior te trará, não que isto te transformará em uma entidade ultra-superior em relação àqueles que não tiveram a oportunidade que você está tendo, mas certamente você será visto com outros olhos, pois além do incremento em seu Currículo Lattes, haverá um incremento pessoal, algo que está além da educação formal, e o que mudou, ou mudará depende de cada um, trata-se de experiência individual, com respostas diversas, mas em algo há uma convergência, você jamais será o mesmo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Providências a tomar antes de deixar a Holanda


Como diria a canção Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira, um dia a gente chega, no outro vai embora, e não importa quanto tempo você esteja na Holanda, sejam seis meses, um ano, cinco ou até mesmo vinte anos, um dia, inevitavelmente você retornará ao Brasil (definitivamente ou não). 

Se você veio a estudos, especialmente como bolsista da CAPES, CNPQ, ou outra agência, há uma certeza, você tem data certa para retornar ao Brasil, e no caso da CAPES há ainda uma colher de chá, eles te dão 30 dias após o término do estágio ou período de estudos no exterior para retornar ao país (mas sem bolsa adicional no período). Possivelmente você se sacrificou para conseguir a bolsa, correu atrás de documentos, fez todos os testes, esperou uma eternidade para aprovação (o conceito de eternidade depende da compreensão de cada um) e para concessão de visto e enfim desembarcou na Schiphol com muita coisa na bagagem que você certamente se arrependeu de ter trazido (tipo de mico que todos passam). Mas além de tudo você trouxe a expectativa da experiência de vida em um outro país, de uma cultura bem diferente da brasileira, espero também que tenha trazido a curiosidade e o coração e mente abertos para viver uma etapa de sua vida. 

Se você estava em dia com a documentação, provavelmente não teve problemas na imigração, recebeu o carimbo e pronto, já estava na Holanda, sem saber direito onde ficava a estação de trem que te levaria ao seu destino final. Mas enfim deu tudo certo e você chegou, se cadastrou na prefeitura local, recebeu seu BSnumber, foi buscar seu cartão de Residence Permit (verblijfsdocument), abriu conta em banco, alugou seu apartamento, casa ou quarto, acessou os serviços das utilidades básicas, água, luz, gás, algumas vezes telefone, internet e até TV à cabo, se apresentou na universidade e tornou-se um brasileiro na Holanda (ufa...não exatamente na mesma ordem). Não foi fácil não é? Mas após tudo isto vem uma etapa crucial em sua estada na Holanda, a partida. Mais importante que saber chegar a algum lugar, é saber partir, pois da mesma forma que uma porta se abre, ela pode se fechar para sempre, por isto muito cuidado ao deixar a Holanda, afinal, até aqui você cumpriu todas as regras e não é na partida que você vai pisar na bola. Então vamos por partes, como dizia um médico legista amigo meu: 

Desregistro: Da mesma forma que você efetuou o GBA (Gemeentelijke Basisadministratie Persoonsgegevens), aquele registro na prefeitura, é obrigatório o desregistro,ou seja, é preciso comunicar à municipalidade local que você está partindo, e isto pode ser duas formas, a) pessoalmente (recomendável): munido de seu passaporte e dos passaportes de sua família se for o caso (apenas um representante da família é suficiente para o processo) você se dirige ao mesmo local que se registrou e comunica que está deixando a Holanda, recebendo para tanto o Extract 60 (Uittreksel 60), que é seu comprovante necessário para o cancelamento de alguns serviços (caso você tenha contratado); b) Por escrito: Escreva uma carta a municipalidade declarando seu endereço atual, detalhes dos membros de sua família e data prevista de partida acompanhado de cópias dos passaportes, não se esquecendo de solicitar o Extract 60 (Uittreksel 60). É recomendável que estes procedimentos sejam feitos no máximo até 5 dias úteis antes da partida para evitar imprevistos de última hora. 

Encerramento de conta corrente: Feche sua conta corrente, não vale o risco deixá-la aberta, mesmo sabendo que você um dia retornará à Holanda para fazer um pós-doutorado ou algo semelhante. Para fechar sua conta sem problemas basta que tenha saldo zero, ou seja, não importa como, vai ter de aparecer 0,00 no seu extrato. No mais, leve seu passaporte ao banco e em 5 minutos sua conta estará fechada, mas não quebre ou jogue fora seu cartão, ele contém informações bancárias e pessoais no chip e poderá ser reativado no prazo de até 5 anos. Se você caiu na onda do banco e pegou um cartão de crédito, cancele-o e PAGUE imediatamente o débito. 

Contrato de aluguel: Verifique com atenção o período do contrato de seu aluguel, sendo por um período específico (6 meses, 1 ano, etc) e que você cumprirá este período integralmente no imóvel, não há problema, mas caso deseje sair antes do período contratado, invoque a “cláusula diplomática”, que permite que você rompa um contrato em caso de mudança para um destino de acima de 75 Km do atual (O Brasil fica bem mais longe que isto). Caso seu contrato seja por período indeterminado, notifique o locatário por escrito nos termos predefinidos (aviso de um a dois meses de antecedência). Em quaisquer hipóteses sempre faça tudo por escrito, valendo neste caso as cópias digitais enviadas por email. Nem preciso dizer que é preciso ter zelo pelo bem locado, afinal haverá uma vistoria final e se houver qualquer problema, pode ter certeza que será descontado depósito feito no ato da assinatura do contrato. Tenha extremo cuidado com uso de água, luz e gás dentro dos limites contratuais, caso estejam inclusos, pois também podem ser deduzidos do depósito. 

Utilidades e telecomunicação: Pelo menos 15 dias antes de sua partida, comunique à empresa provedora dos serviços de fornecimento de água, energia e gás que você está deixando a Holanda, seja por escrito ou por telefone. Para os serviços de telefonia fixa o indicado é que você solicite a suspensão com pelo menos 30 dias de antecedência, já para celulares (telemóveis) pós-pagos é preciso cuidado, especialmente se você assinou um contrato de um ou dois anos, e não adianta querer dar uma de esperto e querer levar o telefone e deixar a conta (dor de cabeça na certa). Para cancelamentos definitivos, comunique por escrito à empresa sua intenção com pelo menos 90 dias de antecedência e prepara-se para eventuais taxas de cancelamento em relação à duração do contrato (caso esteja vigente). O mesmo vale também para a TV a cabo e a internet, basta notificar a empresa com certa antecedência especificando a data de partida para a referente suspensão dos serviços. 

Roupas, mobílias e objetos: Lembra-se daquelas roupas e objetos “fundamentais” que você teimosamente fez caber para entrar na mala ainda no Brasil? Pois é, provavelmente nada disto voltará e você terá de encontrar solução, seja doando, vendendo ou descartando caso já seja impróprio para uso. Para doações basta pesquisar em sua cidade, há sempre organizações que recebem roupas em boas condições para revenderem nas seconds hands e assim revertem o dinheiro para assistenciais mundo afora. Em caso de dúvidas, procure na lista telefônica um Kringloopwinkel mais próximo de sua residência. 

Haverá muitas coisas para fazer e nem pense em “brasileiramente” deixar tudo para a última hora, muito menos ouse perder o vôo de volta para o Brasil em decorrência de mal planejamento no dia da viagem, o custo financeiro é muito alto. Planeje chegar à Schiphol com pelo menos 2 horas de antecedência para cumprir todas as etapas do embarque com certa tranqüilidade, afinal há o check-in, imigração e a revista habitual antes de adentrar ao portão de embarque. Sobre as bagagens é preciso estar atento para o limite contratado, normalmente duas malas que somadas não ultrapassem 32kg mais uma bagagem de mão de até 10Kg, porém no check-in as atendentes sempre insistem em cobrar o excesso alegando que as Leis na Holanda são diferentes; bobagem, leve o comprovante de compra do bilhete e NÃO pague nenhum adicional caso você esteja dentro dos 32kg. Se quiser levar mais bagagens e quiser pagar por isto, tudo bem, mas informe-se no site de sua empresa aérea para evitar surpresas. Como chegar a Schiphol? Bom, se você não sabe até agora, é porque sinceramente você não viveu na Holanda, mas para os que não estão afim de encarar o trem e tem aquele monte de bagagens, sempre há aquele taxi salvador que cobra uma fortuna como em qualquer lugar no mundo. 

O recado está dado, faça seu dever de casa e não deixe rastros desnecessários que possam impedir seu retorno à Holanda ou a Europa, afinal todo bom convidado deve saber como se despedir de seu anfitrião com um bom adeus ou quem sabe um até breve. 

Ps: Sabe aquele cartão de Residence Permit (verblijfsdocument)? Não é preciso entrega-lo em Den Bosch, se quiser há como entrega-lo na Schiphol.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A chegada do Sinterklaas em Wageningen



No dia 12 de novembro, um sábado, o Sinterklaas chegou em Wageningen navegando pelo Rio Reno, desembarcando no Porto da cidade acompanhado de seu ajudante, o Zwates Piet. Antes que alguém me pergunte, o Sinterklaas nada mais é do que o São Nicolau de Mira, transformado em Papai Noel no Brasil e Papa Natal em Portugal, nascido em Petara (Turquia) por volta do ano 271 e falecido em 6 de dezembro no ano de 342 ou 343. Para não criar ainda mais confusão, nem vou entrar na discussão dos elementos considerados pagãos integrados da mitologia nórdica (centrada na figura de Odin) 

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Arquivo Pessoal
Foi uma experiência única, parecia que toda a cidade estava lá para receber o tal do bom velhinho (ou qualquer coisa parecida), especialmente as crianças, ansiosas pela chegada. E logo lá estava ele, mas fez um pouco de charme e suspense dando umas voltas de barco até enfim desembarcar e trazer consigo seu ajudantes. A chegada de barco é uma clara alusão ao fato de São Nicolau ser o patrono dos marinheiros na Espanha, logo também adotado pelos holandeses. Já seus ajudantes são um capítulo a parte e sinceramente eu não estava preparado para ver holandeses de olhos verdes ou azuis com seus rostos e peles pintados de carvão sem que houvesse uma explicação histórica lógica para isto. Diz a lenda que o bondoso São Nicolau libertara um garoto etíope da escravidão no comércio de Mira, o qual teria ficado tão agradecido, mas tão agradecido que decidira por conta própria ficar com Nicolau como seu ajudante pelo resto de sua vida, ou seja, escravo por opção. Alguns também apontam para a influência nórdica em referência aos dois corvos que seriam os informantes de Odin, ou ainda uma referencia ao “senhor negro da noite” que teria ajudado o Deus nórdico a vencer o mau. De qualquer forma, para suavizar um pouco esta história de que o bom velhinho teria ajudantes etíopes que trabalhariam por toda uma vida de graça para ele e sem direito a contrato de trabalho como manda a lei holandesa. A versão atual disseminada para as crianças é que os ajudantes se sujam de carvão quando entram pela chaminé para entregar os presentes.

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal
A festa é bonita, o Sinterklaas desembarca com pompas, com direito a banda de música e tudo. Ao mesmo tempo os ajudantes entregam os “strooigoeds” (doces) às crianças, o que faz a alegria geral, até com adultos entrando na disputa pelos doces. É praxe também que a comitiva do Sinterklaas siga uma rota pré-estabelecida até um local (normalmente a própria prefeitura) onde o prefeito da cidade (burgemeester) oferece as chaves da municipalidade. Wageningen não fugiu a regra e a caravana do Sinterklaas seguiu direto para a Grote Kerk para o tão esperado momento. 






Arquivo pessoal




Arquivo pessoal
A dinâmica do natal aqui na Holanda é diferente a do Brasil, especialmente por ser no dia 05 de dezembro a data em que as crianças receberão seus presentes, contanto que elas deixem cenouras em seus sapatos como um agrado ao cavalo branco que traz São Nicolau e em retorno elas ganham os presentes. A grande vantagem disto, pelo menos da minha interpretação, é a separação das festividades relativas ao dia de São Nicolau e do Natal, que é tratado efetivamente como uma celebração cristã nos dias 25 e 26 de dezembro (primeiro e segundo dia de natal). 


Arquivo pessoal
Uma informação que não pode ser passar despercebida é a facilidade encontrada para se adquirir enfeites de natal, com grande variedade e especialmente preços acessíveis a todos. É muito fácil, com muito pouco, montar árvores de natal de todos os tamanhos (e não apenas minúsculas a preços exorbitantes como no Brasil) e uma imensurável gama de enfeites que realmente dão o tom da celebração por aqui. 

Arquivo pessoal

domingo, 30 de outubro de 2011

Conhecendo a Europa a partir de Wageningen


Não se pode dizer que a cidade holandesa de Wageningen está bem localizada na Europa e oferece acesso fácil a todas as principais cidades europeias. Ainda assim, em termos de mobilidade e distância entre as cidades, há diferenças gritantes em relação ao Brasil, mas eu diria também em relação a Portugal no que tange a extensão da malha ferroviária (comboios). Wageningen não tem estação própria, apenas divide o nome com a Estação Ede-Wageningen localizada no município de Ede (10km), mas com fácil acesso por meio dos ônibus da Connexxion a partir Estação Wageningen, quem fica bem no centro da cidade. 

Inicialmente vamos responder àquela velha questão: Qual a forma mais barata de viajar pela Europa? Simples, de ônibus (autocarro). Isto mesmo, tal como estamos acostumados no Brasil, mas com uma diferença significativa, a qualidade das estradas. Por isto, se você é bolsista e quer economizar muitos euros, tiver paciência e souber aproveitar os finais de semana, as folgas e os feriados (raros na Holanda), a melhor e primeira opção é viajar de ônibus mesmo. Como fazer isto? Visite o site da Eurolines e veja os destinos possíveis, preferencialmente a partir de Utrecht ou Arnhem, dependendo do destino. Novamente mais um problema em Wageningen, não há partidas de ônibus da Eurolines, apenas conexões regionais que levam às cidades vizinhas (Arnhem, Utrecht, Veenendaal, Tiel, Ede). Em relação aos preços, para fins de exemplo, uma passagem de ônibus a partir de Utrecht para Paris pode custar 28 euros ida e volta, ou seja, considerando a passagem de ônibus Wageningen-Utrecht, 5,40 ida e volta, o gasto total de uma viagem para Paris será de 33,40 euros por pessoa; para Londres, também a partir de utrecht, ida e volta, 31 euros (+ 5,40, total 36,40 euros). 

Para viagens dentro da Holanda, para destinos como Amsterdam, Haia (Den Haag), Rotterdam, Delf, Maastrich, etc, a melhor opção mesmo é viajar de trem, especialmente para os que fizerem o cartão da NS, que pode dar até 40% de desconto em viagens dentro da Holanda e 15% em outros países (a verificar em cada caso). Para verificar os horários, tempo de viagem e valores basta visitar o site da NSTendo Amsterdam como exemplo, uma passagem ida e volta pode custar de 15 a 25 euros ida e volta, dependendo dos descontos. Mas atenção! Há condições especiais para usufruir dos descontos, e nem adianta bancar o esperto e tentar comprar com descontos sem o cartão, pois já vi gente ser convidada a se retirar do trem ou pagar altas multas pelo não cumprimento das regras; neste caso a esperteza sai bem cara. 

De trem também se é possível viajar para outros países, e para este fim o site indicado é o NShispeed, onde com antecedência se é possível comprar passagens também a preços módicos, como por exemplo o trajeto Ede-Wageningen – Bruxelas, que pode sair até por 29 euros ida e volta. Bruxelas, aliás, é um bom roteiro por se tratar de uma viagem que pode ser feita em um ou dois dias, assim como Colônia na Alemanha, que está a apenas duas horas de Wageningen e na promoção chega a custar 30 euros por pessoa ida e volta. Viagens para cidades como Paris, Londres e Berlim já começam a apresentar preços mais salgados quando feitas de trem, assim é preciso mensurar a relação custo-benefício-tempo de viagem, para definir qual a melhor formar de viajar. Contudo, com uma boa antecedência de compra (2 meses), uma viagem de Ede-Wageningen para Londres pode sair até por 99 euros. Não custa lembrar que todos os valores acima referem-se a tickets na segunda classe, mas se o viajante quiser mais comodidade, pode pagar um pouco a mais para não correr o risco de viajar em pé. Como?! Em Pé? Isto mesmo, a segunda classe aqui é lotada e não tem lugar reservado, especialmente em dias úteis, assim prepare-se para a possibilidade de viajar em pé ou sentado nas escadarias. 

Mas dependendo do destino, uma viagem de ônibus ou de trem pode ser muito cansativa ou requererá muito tempo e paciência. Para estes casos vale a pena considerar as viagens aéreas, especialmente nas chamadas low costs, que apresentam excelentes preços, mas requerem um cuidado extremo com as “entrelinhas” para não se pagar além do previsto. Neste item a primeira Cia aérea que vem à mente e ao bolso é Ryanair, onde se é possível adquirir passagens por menos de 10 euros por trecho (compradas com muita antecedência). Porém a Ryanair tem suas regras consideradas extremistas, se você sair da linha, excedendo os limites da bagagem de mão ou simplesmente não imprimindo seu e-ticket, pode perder de 40 a 60 euros num piscar de olhos. O segredo de viajar numa low cost é seguir as regras do jogo e parar de pensar que para tudo tem jeitinho. Tudo que sai da regra para eles é lucro. A Ryanair não é nada mais do um ônibus que voa, com o agravante que não há numeração nas poltronas – entrou, corra e pegue seu lugar. Outra coisa, se quiser algo dentro do avião, pague! Vale observar que para embarcar pela Ryanair é preciso ir a Eindhoven (30 euros ida e volta a partir de Ede-Wageningen). 

Mas nem só de Ryaniar vivem as low costs, segue uma relação das principais empresas na Europa, com atenção especial para holandesa Transavia (que segundo dizem é patrocinada pela KLM) onde os preços são um pouco mais altos, mas há várias possibilidades de pagamento, inclusive via iDeal (pagamento online). Pessoalmente dou preferência aos vôos a partir da Schiphol - Aeroporto de Amsterdam que é considerado o melhor do mundo (27 euros ida e volta da Estação Ede-Wagenigen), mas deve-se analisar caso a caso. 





Para alem das low costs há as grandes e tradicionais empresas aéreas do setor, dentre elas a KLM – Royal Ducht Airlines, a qual dou preferência em minhas viagens por ser uma empresa local que dependendo da antecedência da compra oferece bom descontos, com preços a partir de 99 euros ida e volta para destinos como Roma, Paris, Milão Barcelona, Berlim, ou seja, quase o mesmo preço das low costs mas com serviços e comodidade superiores. No site da Agência Schiphol também se é possível consultar e até  adquirir passagens para vários destinos. 

Caso você não queira esquentar a cabeça, há os pacotes oferecidos pelas agências de viagens, em Wageningen especificamente há duas fortes no setor na Holanda, a Arke e a D-reizen, sendo que pode-se ir direto às lojas físicas (ambas ficam na Hoogstraat 101 e 55 respectivamente) ou visitar os sites, onde há uma infinidade de pacotes que incluem hotéis, transporte, city tour, etc. Novamente cuidado, pacote é pacote, sabe-se lá a qualidade e localização do hotel, sem falar que nas excussões de ônibus, por exemplo, todos serviços são voltados para holandeses, ou seja, com guia turístico holandês, com informações eminentemente em holandês. Para fins informativos, uma excussão de ônibus para Paris por 3 dias (chegada à noite + um dia inteiro + retorno pela manhã), incluindo o hotel e city tour, sai por 99 euros por pessoa. O "porém" neste exemplo está no hotel, que fica no anel rodoviário de Paris, e na próxima linha de metro, que fica a 20 minutos caminhando. Eis que vale novamente a lei do bom senso, vale a pena? Sim, mas o importante é ter sempre todas estas informações claras para evitar frustrações.

A decisão de viagem é um ato pessoal e diretamente ligado ao bolso de cada um. Todos sabemos onde mais aperta o calo e não adiantar querer apertar mais do que se pode aguentar, assim planeje-se, escolha bem destino, calcule bem, incluindo em sua planilha os os traslados ida e volta do aeroporto,estação de trem ou de ônibus. Nunca, eu digo NUNCA, faça uma viagem sem ter pesquisado a fundo para onde vai, com informação sobre transportes públicos, localização do hotel ou local de acomodação, dicas de refeição barata, atrações turísticas, entres outras. Ainda assim, com todo planejamento, alguma coisa sairá do lugar, eis que é preciso estar preparado para imprevistos, e neste caso, tenha sempre alternativas à mão, pois de qualquer forma você estará em outro país além da Holanda (seu lar agora). 

Boa viagem! 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Finanças pessoais no exterior, um choque de realidade



Este é um tópico sério, e diria vital para quem vai morar exterior, especialmente para estudantes que precisam ter a mente tranquila e centrada para aproveitar melhor a oportunidade de ampliar conhecimentos. Uma mente apreensiva com o descontrole financeiro dificilmente terá um nível satisfatório de aproveitamento requerido numa universidade no exterior, perdendo facilmente o foco e desviando suas atenções para fatores que não pertencem aos objetivos do estágio. 

Sendo bem prático, direto e sem ilusões, as bolsas concedidas pela CAPES, no valor de 1.300 euros para doutorandos e 2.000 euros para pós-doutorandos, atendem minimamente as necessidades básicas de sobrevivência de um estudante ou profissional em outro país e podem apresentar um maior ou menor poder aquisitivo dependendo do país. Falando especificamente da Holanda, o próprio Ministério dos Assuntos Sociais e Emprego (Ministerie van Sociale Zaken en Werkgelegenheid) local reconhece que o custo de vida é em dos mais altos na União Europeia ao fazer uma comparação com as condições salariais de cidadãos portugueses que desejam trabalhar no país (manual em português: Trabalhar na Holanda). Para que se tenha uma ideia mais clara, o salário mínimo holandês (para maiores de 23 anos) vigente desde janeiro de 2011 é de 1.424,40 euros, em Portugal é 485 euros e no Brasil em torno de 230 euros. Exemplificando, o bolsista em estágio terá de se adaptar e viver na Holanda com um valor abaixo do mínimo pago a um cidadão nativo (desconsiderando-se os impostos) e sem os benefícios oferecidos pela Rainha Beatriz (Beatrix Wilhelmina Armgard, Rainha da Holanda), que na verdade é uma grande mãezona que carrega os cidadãos no colo com um amplo aparato de bem estar social. Segue tabela com os salário mínimos holandeses (por faixa de idade):

Fonte: Ministério dos Assuntos Sociais e Emprego da Holanda, 2011
Agora vamos aos cálculos tendo como uma bolsa de 1.300 euros concedida pela CAPES, valor este que é depositado trimestralmente em conta corrente em aberta em território holandês, resta lembrar que os valores do auxílio instalação, 110 euros/mês, e seguro saúde, 70 euros/mês, são depositados em conta corrente no Brasil aproximadamente 10 dias antes do embarque. Um bolsista que terá seis meses de estágio, por exemplo, desembarcará na Holanda com 1.080 euros no bolso (caso o bolsista não tenha reservas financeiras). Aconselho a NÃO confiar que este valor será suficiente, pois não será, até porque deve se estar preparado para imprevistos, incluindo complicações na hora da abertura da conta corrente, o que poderá ocasionar atrasos nos primeiros depósitos. 

Grande parte da complicação e dos gastos está no aluguel, que consumirá boa parte da bolsa, especialmente para casais, onde um quarto oferecido pela Idealis ou pela INfacilities (empresas que tem convênios com a WUR - Wageningen University) pode variar de 475 a 600 euros em média. Já para os solteiros o valor é menos salgado e gira em torno de 350 euros por um quarto. Fora das opções oferecidas pelas conveniadas da WUR, há o mercado privado, onde se é possível encontrar apartamentos completos e mobiliados de diversos padrões que facilmente ultrapassarão a casa dos 1.000 euros mensais, algumas vezes incluindo gás, água e luz (com alguma sorte TV e internet). Falando nisto, reserve valores também para o rateio destas utilidades (gás, água, luz), dependendo do tipo de moradia, lembrando que na Holanda não há leitura do consumo (as empresas apenas calculam uma média de consumo de padrão). Por experiência própria, deve se estar preparado para 80 a 100 euros por pessoa no consumo, dependendo do período do ano (nos meses mais frios o consumo de gás aumenta em função da manutenção da temperatura interna dos imóveis). 

No supermercado os gastos serão variados, eminentemente para a alimentação, mas deve-se contabilizar também os materiais de limpeza e de higiene pessoal. Neste caso vale muito considerar o perfil do consumidor, em qual supermercado se faz as compras e a adaptação aos hábitos alimentares locais. E não adianta fazer cara feia, a alimentação terá de ser adaptada conforme os produtos disponíveis, e sem essa de não “como aquilo”, não “como isto”, não “gosto daquilo”, geralmente as pessoas mais inflexíveis são as que mais sofrem no exterior. Esqueci dos valores? Calma, um casal controlado consegue não ultrapassar a marca dos 250 euros mensais (no máximo 300 euros), mas logo aviso, o gasto maior é no primeiro mês, onde logicamente gasta-se bem mais em função dos ajustes e testes de consumo. Para os solteiros, não vejo razão para gastar mais do que 200 euros por mês no supermercado (e com muita folga).

Alimentar-se fora de casa não é proibido, mas deve ser regulado com muita sabedoria, pois uma refeição "de nada" na cantina da universidade, em geral sanduíches, saladas e sucos, pode atingir facilmente o valor de 5 euros, e assim, de 5 em 5 euros lá se vai sua rica bolsa. Sabe aquele hábito freqüente de sair para jantar, almoçar, lanchar? Esqueça, este mundo não pertence a um bolsista. Quer dizer que está proibido? Lógico que não, mas refeições fora de casa aqui na Holanda tem seu preço e tais “extravagâncias" devem ser reservadas a momentos que realmente valham a pena. Sair para beber com os amigos? Ok, tá valendo, cerveja aqui é quase de graça, especialmente nos supermercados. Considero 50 euros por mês suficientes para ficarem reservados no Chipknip para eventuais refeições na universidade, já para as saídas com os amigos, aí depende de cada um. 

Bom, lembra-se daqueles 1.300 euros por mês? Pois é, não são mais, agora são 600 euros para os solteiros (350+100+200+50) e 300 euros para os casais (500+200+250+50), isto sem computar os 48 euros do seguro de saúde que você inteligentemente se resguardou ao depositar aqueles 420 euros reservados para os descontos em conta corrente para seguradora. Alguém deve estar perguntando, “mas e as despesas com transporte?” Esqueça, compre uma bicicleta e reserve uns euros para eventualidades, pois ninguém merece pagar 3,20 euros por dia para ir e voltar da universidade “só para não cansar muito”. 

Fora tudo isto é preciso pensar na aquisição de livros importantíssimos para sua pesquisa e que dificilmente você encontraria dando bola numa prateleira no Brasil. Lembra–se daqueles livros que demoram uma eternidade para chegar quando comprados na Amazon no Brasil? Pois é, aqui chegam mais rápido e podem ser mais baratos. Mas tem uma outra forma de adquiri-los de forma mais rápida ainda, via site Bol.com, que é excelente e aceita pagamento online via iDEAL, debitado diretamente em sua conta corrente. Também reserve um valor para o vestuário para enfrentar o frio holandês, pois por mais que sua avó tenha sido gentil em tricotar um cachecol para você não passar frio por aqui (que fofo), sinto muito, quase nada do que você tenha trazido do Brasil sequer vai aguentar o primeiro ventinho do outono nesta região do planeta. 

Peraí? Mas e as viagens, tipo Paris, Londres, Barcelona, Roma, Berlim? Pois é, vai depender do seu perfil de controle financeiro, das suas economias e dos contatos e amigos que você tem mundo afora, porque senão adeus tranqüilidade financeira. Vale sempre lembrar qual o propósito da bolsa, e com certeza não é para fazer turismo, senão ela não seria tão estreitamente calculada. Mas ninguém é de ferro e você terá oportunidades de fazer algumas viagens (mas não todas), especialmente relacionadas com sua temática de pesquisa, as quais podem até ser financiadas pelo grupo de pesquisa a que você estive associado. Assim, tenha paciência, calcule bem e não meta os pés pelas mãos, pois aqui não há aquele “crédito pronto” liberado imediatamente em conta corrente na hora do aperto. Ou você se organiza, ou vai ter dor de cabeça. 

Este é um dos tópicos mais longos que escrevo, mas por um motivo justo, o ALERTA. É preciso ter em mente que a desorganização financeira pode transformar o que seria uma oportunidade de aprendizado num fatídico pesadelo. Caso você tenha outras fontes de renda, que não aquelas conflitantes com a bolsa, ótimo, você vai aproveitar melhor ainda seu estágio e ampliar seu leque cultural com destinos interessantes nos ses dias de folga. Porém, caso dependa somente da bolsa, não vale o risco, seu lucro já está em receber uma grande oportunidade de intercâmbio profissional em uma das 75 melhores universidades do mundo conforme o ranking da Times High Education 2011-2012. Este é o atual estágio da Wageningen University and Research Center, quer experiência melhor do que esta? 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Clima e temperatura em Wageningen

Arquivo pessoal: pôr-do-sol em Wageningen às 22h30

No território holandês predomina o chamado vento sudoeste, que provoca um clima marítimo moderado, caracterizado por verões não quentes, mas suaves, (média de 23°C) e invernos muito frios, mas não muito intensos (média de 0° C). As precipitações (aquilo que os meteorologistas chamam de chuva, granizo e até neve) apresentam uma média de 70mm mensais, com menores variações na primavera (45mm em média). Bom, quer saber? Isto é o que dizem os meteorologistas, prefiro trazer um relato próprio sobre o clima na Holanda e especificamente em Wageningen. 

Na verdade a Holanda tem quatro estações bem definidas, “frio”, “mais frio”, “mais frio ainda” e “congelante”. Em geral na Holanda chove quase todo dia, porém para meu desespero em Wageningen normalmente chove num dia, no outro também. Trata-se de uma cidade que tem uma relação íntima com a chuva, quando acontecem períodos como o que estão ocorrendo neste início da estação “mais frio ainda” (também conhecida como outono), onde há quase uma semana não chove e o sol aparece todos os dias, até o holandês mais agnóstico começa achar que Deus existe. 

Se o tempo na Holanda é maluco, em Wageningen é sequelado, pois um dia pode começar com sol e agradável, ainda pela manhã chover, no começo da tarde esfriar, chover de novo e no fim da tarde abrir aquele sol. Para mim, em termos de clima, a melhor parte do dia em Wageningen é a noite, especialmente na estação do “frio” (aquilo que os holandeses chamam de verão), quando o sol se põe por volta das 22h30. Sim, eu não sei por que, ou como, quase sempre ao final da tarde o tempo abre e ao menos por alguns minutos nos faz lembrar que o sol existe. Contudo não há escapatória, quem vem morar em Wageningen deve estar preparado para encarar longas pedaladas na bicicleta sob congelantes ventos e gotas de chuva. Assim, capas e guarda-chuvas são itens obrigatórios em que qualquer estação do ano. 

Voltando ao meu lado meteorologista, a figura 01 apresenta as médias de temperatura e precipitações em Wageningen. Note que em geral as médias de chuvas variam de 132mm a 231mm, ou seja, o mês que chove menos por aqui equivale ao mais chuvoso mês de uma cidade como Porto Alegre, que até então eu considerava uma cidade úmida. Falando em umidade, quando ela chega a 40% já tem holandês passando mal nas ruas. 

Figura 01 - Temperatura e chuva em Wageningen
Fonte: World66 Travel Guide

Não falarei sobre a estação “congelante” (vulgo inverno) pois ainda estamos no “mais frio ainda” (vulgo outono) e ainda não experimentei esta parte do clima. Entretanto já comecei a ficar com medo pelo nível das roupas de frio que começaram a ser vendidas nas lojas; se vier o inverno ( que dizer, “congelante”) que eles estão esperando, estou perdido. Assim, meu amigo, minha amiga, prepare-se para agüentar as baixas temperaturas (fez -11°C no último inverno, quer dizer, “congelante”), ainda que os sistemas de calefação das casas e dos ambientes de trabalho, ou mesmo nas lojas, sejam eficientes e podem trazer a sensação de uma percepção menor do frio. 

Com toda esta confusão meteorológica fica claro que não dá para sair de casa sem olhar a previsão do tempo, segue então uma lista dos principais sites que o manterão informado sobre o tempo em Wageningen. Mas cuidado, olhe mais de uma vez ao dia, pode haver mudanças repentinas: WeatherBug, AccuWeater, Meteox, WeatherForecast , Foreca

O verão (vulgo frio) passou por aqui e eu nem vi, para não dizer que não fez calor teve um dia, um único dia, em que me lembro de beirarmos os 30° C. Foi um dia tão bom, mas tão bom, que não valia a pena desperdiçá-lo em Wageningen, fomos eu e minha esposa para Amsterdam.