domingo, 14 de agosto de 2011

A mobilidade urbana que sobra na Holanda e falta no Brasil

Segundo o Ministério das Cidades (PlanMob, 2007), a “Mobilidade urbana é um atributo das cidades, relativo ao deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano, utilizando para isto veículos, vias e toda a infraestrutura urbana”. Este é um conceito normativo, que não é meu objetivo discutir aqui, sequer iniciar uma discussão teórica maçante e tampouco produtiva, o que quero mesmo é despertar a reflexão sobre o direito de ir e vir, sobre a liberdade de mover-se nas cidades e entre as cidades sem que isto seja um pesadelo ou um sacrifício. 

A mobilidade urbana deveria ser um direito de todos, homens, mulheres, pessoas com mobilidade reduzida ou algum tipo de deficiência, idosos, crianças, gestantes, todos sem discriminação, tal como prevê a Constituição Federal. Porém, esta não é a realidade brasileira, com cidades criadas sob uma lógica “burra” onde somente alguns privilegiados possuem o passaporte da felicidade para estarem aonde desejam, sempre que quiserem. Mobilidade urbana é poder utilizar um transporte público de qualidade que trafegue sob vias pensadas para desafogar e não afogar o trânsito, é ter várias outras opções além do carro para se chegar a um destino, é poder andar de bicicleta com segurança e caminhar nas calçadas planejadas para evitar tropeços eventuais. 

Infelizmente o Brasil só foi pensado para uma única possibilidade de locomoção, o automóvel. Não interessa mais discutir onde erramos em nossa história, mas sim onde não erraremos mais. Não pretendo fazer uma apologia à perfeição da mobilidade urbana na Holanda, porque esta perfeição não existe, porém quando percorro alguns quilômetros de bicicleta rumo à universidade, mesmo sob chuva ou garoa, pedalando sobre uma ciclovia, percebo que ainda estamos distantes de um país realmente desenvolvido. Muito pensarão que isto é apenas conversa de um estudante maravilhado que vive em uma cidadezinha sem problemas do interior da Holanda, mas digo que não é, quem conhece Amsterdam, com seus quase 800 mil habitantes, ou Berlim (Alemanha), com seus mais de 3,4 milhões de habitantes, reconhece isto. 

Estacionamento de bicicletas do Shopping Hoog Catharijne (Utrecht)
Fonte: arquivo pessoal
Mas o que há de diferente na Holanda? Primeiro que quando eles tiveram dinheiro sobrando em caixa investiram pesado na infraestrutura do país, algo que o Brasil está tendo a oportunidade de fazer agora com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Segundo, eles acertaram nas escolhas adaptadas a cada tipo de cidade, e por último e terceiro há o aspecto educação, nas escolas e no trânsito. Há acidentes de trânsito? Sim, há, mas são raros os acidentes graves. E sobre os congestionamentos de trânsito? Sim, também há e é um grave problema de Amsterdam, porém a partir de 2012 será cobrada uma taxa de 3 centavos de Euro por quilômetro rodado, chegando a 6,7 centavos em 2017, além do mais todo veículo deverá ter obrigatoriamente um GPS afim de se encontrar as opções alternativas para se chegar a um destino. Veja reportagem http://is.gd/ueEQhE.

Tanta taxação sobre o uso os automóveis requer um bom sistema de transporte público e o da Holanda é exemplar. Em qualquer ponto de ônibus há a indicação do horário de cada linha, com um sistema pensado para a interligação com trens, bondes e metrôs em sincronia, tudo funcionando pontualmente. Ok, sim, há atrasos especialmente nas estações de trens, sem falar em algumas mudanças abruptas de horários no displayers nas estações e pontos, mas nada que tire a comodidade do sistema, que pelo menos avisa sobre eventuais atrasos. O fato é que em geral o horário é cumprido rigorosamente, e nos minutos, se um trem ou ônibus está programado para 17h04 não adianta chegar 17h09, já foi, perdeu. Além de tudo, o transporte é limpo e confortável, e os motoristas de ônibus não apostam corrida ou freiam abruptamente, eles sabem perfeitamente que estão transportando cidadãos, não importando sua classe social. Há também no Brasil bons exemplos de transportes públicos bons, como em Curitiba, mas estes são exceção, não regra. 

Quando você chega na Holanda observa que uma “rua” é composta por duas vias, a rua em si, por onde trafegam os carros, a via para as bicicletas e ciclo motores de baixa velocidade. Esta é lógica, cada um no seu canto, seguindo regras de trânsito, inclusive aplicadas aos ciclistas, que podem ser multados se ultrapassarem o sinal vermelho ou não acenderem as luzes da bike durante a noite (conheço brasileiro que conseguiu ser multado por isto na Holanda). 

Eu e meu meio de transporte na Holanda
Assim, a primeira coisa que deve ser adquirida na Holanda é uma bicicleta, todos tem, todos pedalam, não importa a idade, trata-se de um orgulho nacional, e a oferta de bikes é imensa, para todos os bolsos. Aliás, o ofício do bicicleteiro é bem valorizado e bem pago por aqui, fato que percebi quando levei a minha para uma revisão logo após a compra por uma bagatela de 70 euros (bike usada), recebendo uma conta de 50 euros entre acessórios, trava de segurança e revisão elétrica, do total 15 euros só de serviços. Trava? Sim, nem pense em não ter cadeado ou trava na bicicleta se não já era, e se tiver a bike roubada não adianta nem reclamar. Diz a lenda que certa vez um brasileiro teve sua bike roubada e revoltado dirigiu-se a um policial para perguntar onde ficava a delegacia para fazer um registro de ocorrência, no que teve uma inesperada resposta: “Ah, quando eu era adolescente, eu também roubei uma bicicleta.” Contradições da Holanda. 

Centro de Amsterdam - observe as ciclovias (faixas mais escuras)
Fonte: arquivo pessoal

Para períodos curtos na Holanda aconselho a comprar uma bicicleta usada, em Wageningen, por exemplo, basta ir à praça de alimentação em volta da Igreja às quartas ou sábados que há diversos modelos à venda, mas preste atenção, observe sempre aqueles dois itens importantíssimos, trava de segurança (no freio) e mini faróis dianteiros e traseiros (obrigatórios), no mais é só sair pedalando. Quer uma bike novinha em folha? Sem problemas, tem em todo lugar, mas aconselho a ir em lojas especializadas, lá é possível encontrar desde as mais simples por 200 euros em média até de modelos de 3.000 euros, mas uma boa bicicleta, completíssima, sai entre 700 e 800 euros. Tem um modelo que gosto muito, a bicicleta dobrável, que é vendida também no Brasil, é muito útil pela possibilidade de levá-la para qualquer canto, facilita em muito, por exemplo, em uma viajem de trem; nada mais prático por exemplo do que chegar em Haia, Roterdam ou Amsterdam e já sair pedalando para quaisquer lugares. E vamos largar de frescura minha gente, abandonar este mentalidade de pseudo-riqueza e pedalar, é saudável para a natureza, para o próprio corpo e para o bolso (parte mais importante do corpo para muita gente).

sábado, 6 de agosto de 2011

Vamos às compras?

Este post é especial, pois trata de um importante tema, para homens para mulheres, porque afinal haverá inevitavelmente a necessidade de se comprar algo por aqui, seja pelas utilidades no dia-a-dia, seja pelo vestuário necessário, ou mesmo pela vontade de comprar coisas que dificilmente você encontraria no Brasil por um preço satisfatório. Mas mesmo quem não é consumista se virá tentado a sair do orçamento dada a imensa oferta de produtos de qualidade a preços acessíveis a todos, para todos os gostos e bolsos. 

Para quem mora em Wageningen há a opção de comprar no centro, que na verdade é praticamente uma rua onde se aglutinam as lojas, a Hoogstraat, onde a cidade toda se reúne e faz a festa, especialmente nos meses de julho e agosto que é a temporada de actie (liquidação). Mas o comércio daqui é adequado e supre com relativa satisfação toda comunidade que vem de fora do país para estudar na Universidade de Wageningen. Digo relativamente, porque se a intenção é gastar bem, bem mesmo, o melhor é viajar para Utrecht, o centro comercial da região, onde se concentra o que há de melhor em marcas e preços. Chegar a Utrecht é fácil, ou se vai de ônibus, 2,70€ p.p, ou de trem, 7,00€ p.p.; pessoalmente aconselho a fazer pelo menos um vez a viagem de ônibus pois a paisagem é linda, sem contar que durante 1h30 de viagem é possível passar por várias cidades e conhecer um pouco da fantástica arquitetura local. 

Mas vamos ao que interessa, e começando pela base, do chamado “popular” onde o “povão” daqui faz a festa (leia-se, salários até que uns 2.000€). Duas lojas são básicas e tem em quase toda Holanda; a Scapino, bem barata mas com produtos bons para o dia-a-dia, especialmente calçados, já até comprei um sapatênis por de 30€ por 8€ na promoção; a Schoenenreus, que vai no mesmo sentido da Scapino mas particularmente não gosto dos produtos, assim nem mais entro lá. Tem também uma loja que consegue ainda ser mais barata e básica que as duas citadas, é a Zeeman, que com todo respeito, é a versão “lojão do povo” abarrotada de produtos chineses (confesso, comprei uma camiseta por 3€ lá). 












Saindo da base encontra-se a HEMA, uma loja de departamento que tem quase de tudo e está em todo país, com qualidade e bons preços. Lá eu já comprei um monte de coisas, desde material escolar a acessórios para bicicleta, sem falar que até dá para fazer um lanche a preços módicos na cadeia própria de fast-food. Assim esta loja é referencia, onde quer que esteja, na dúvida passe na HEMA, que lá você o encontra normalmente o que precisa com qualidade e a preços razoáveis. Faltou alguma coisa em casa? Utensílios, ferramentas, decoração, vá a Blokker. Nesta loja descobri que estou pagando muito caro por produtos similares no Brasil que não tem nem a metade da qualidade oferecida aqui.















Vamos agora fazer um upgrade, saltando básico e regular para o diferenciado, estou falando da V&D (Vroom & Dreesmann), uma loja de vestuário, cosméticos e perfumes que quase enlouqueceu minha esposa, em especial a loja do Shopping Hoog Catharijne, de Utrecht, que tem quatro andares de puro bom gosto e praticamente com os mesmos preços da HEMA, com uma diferença, as marcas, tais como United Colors of Benetton e Desigual. Sim, nesta loja é possível vestir-se bem, com elegância e gastando pouco. 



Ainda em Utrecht, mas agora num nível acima de todas as lojas que citei até aqui, está a Bijenkorf, onde se encontram as marcas top, tais como Hugo Boss, Tommy Hilfiger, Macgregor, French Connection, Julien Le Roy, Diesel, Polo Ralph Lauren, entre outras, tudo em um só lugar, mas com duas imensas diferenças em relação ao Brasil, o preço e a acessiblidade, qualquer um pode entrar, qualquer um pode comprar, e não há somente vestuário, há relógios, óculos, jóias, tudo isto sob um tratamento vip dos atendentes.




Em Utrecht também há outras lojas de marcas conhecidas, como a Zara, que fica no começo dos canais, também como preços muito abaixo dos praticados no Brasil, e olha que estou falando da Holanda, um dos custos de vida mais altos da Europa. De qualquer forma, após cansar-se das compras em Utrecht, vá a um dos restaurantes localizados nos canais, faça um passeio de barco e não deixe de conhecer a torre e Igreja “Dom”.




Esqueci-me de algo? Sim, dos eletrônicos, e aí é covardia em relação aos preços.Quando entrei na Media Makt fui eu quem quase enlouqueceu, são muitos produtos. Câmeras, notebooks, eletrônicos, celulares, etc, a preços impensáveis no Brasil. Há também uma outra loja muito boa e conhecida, a Dixons, muito boa em disponibilidade de produtos, mas perde para a Media Market.













Devo ter esquecido de algumas lojas, mas não se preocupe, semanalmente são colocados nas caixas dos correios vários encartes e folders, mas com uma diferença do Brasil, vem todos em um único envelope plastificado, onde há diversas ofertas, de diversas lojas, para que o consumidor faça suas escolhas.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Assistindo TV na Holanda

Assistir TV na Holanda é algo muito simples – para os holandeses – assim, para os que não foram educados desde bebês no “Dutch”, restam os canais em inglês e em francês. A TV principal do país é a RTL, que na verdade é alemã, de propriedade majoritária do conglomerado de mídia Bertelsmann, com sede em Luxemburgo, estando também presente na França, Bélgica, Reino Unido, Austrália, Espanha, Hungria e Croácia, além de co-produções nos Estados Unidos. 


Já entendo algumas palavras e frases em holandês, mas nada suficiente para acompanhar um programa de TV, mas a RTL tem uma programação variada e com alguns filmes sem dublagem e em sua versão original em Inglês, além disso tem os realities shows de música, tais como o “Holand's Got Talent” e “The X Factor” que são um show a parte (não custa nada lembrar que a holandesa Endemol criou o Big Brother). 



No estado onde resido há também uma TV regional, mais ou menos a RBS ou TV Morena deles, só que com programação exclusivamente local, contando até com uma versão da “Ana Maria Braga” chamada Angelique Krüger, que é um pouco estranha e até há pouco tempo eu realmente acreditava que os programas dela não faziam sentido e eram chatos. Porém, nesta terça, dia 02/08 não é que ela traz o seu programa itinerante para Wageningen e grava direto da praça principal da cidade. Somente então pude compreender a diferença que ela faz na região, movimentando as cidades locais com games entre grupos bem como contando um pouco da história de cada uma. 

Angelique Krüger
Logicamente eu Jackeline (minha esposa) fomos à praça para assistir a tal gravação e até nos divertimos um pouco. Para quem quiser conhecer um pouco de Wageningen, segue um link com o programa completo: Zomer in Gelderland. Bom, assistir a gravação deste programa me chocou um pouco dado que um cidadão que imitava John Lennon fumou maconha calmamente diante das telas, isto em plena luz do dia, em praça pública. Isto é Holanda. 


Em termos de TV o que salva mesmo são os canais internacionais, possíveis somente via TV por assinatura, tais como CNN, TV5, Eurosport, e o melhor de todos, a BBC (BBC1 e BBC2), que é o que mais se aproxima em termos de TV como conhecemos no Brasil, com um jornal matinal muito bom, programação interessante e uma cobertura excepcional da Fórmula 1, com comentários de Eddie Jordan (ex-dono de equipe), David Coulthard (ex-piloto) e Martin Brundle (ex-piloto), com a brilhante narração de Jake Humprey, um garoto de 32 anos que prova que não é preciso ter assistido e presenciado toda história do automobilismo para se entender de F1. Aliás, eles fazem a transmissão praticamente de dentro dos boxes das equipes e não precisam mendigar entrevistas, todos os pilotos vem até eles e até mesmos os managers e donos de equipes dão entrevistas sorridentes. Enfim, para quem adora este esporte como eu, livrar-se da narração absurda do Galvão Bueno e de uma transmissão de estúdio da Rede Globo,  é algo que não tem preço. 

Mas o mundo mudou e não assistimos TV somente na TV convencional, enquanto o Brasil acorda, almoçamos assistindo o Bom Dia Brasil, e enquanto Brasil almoça, jantamos assistindo o Jornal Hoje, tudo isto via internet, não vou negar e nem ser puritano em relação a como o sinal chega, mas são passíveis de serem assistidos quase todos os canais brasileiros, abertos e fechados, via web.

domingo, 24 de julho de 2011

A jornada (reduzida) de trabalho na Holanda

Demora um pouco para compreender o ritmo de trabalho holandês, especialmente para aqueles que estão habituados à jornada básica de oito horas diárias, daquelas do tipo 7h30 às 11h30 – 13h30 às 17h30. Aqui não funciona bem assim, primeiro por que eles compreendem claramente que quantidade não é qualidade, depois por que sabem que existe vida fora das empresas e a qualidade de vida fora do ambiente de trabalho reflete diretamente na produtividade e nos resultados. Notei inicialmente que as secretárias do departamento tinham uma escala alternativa, não trabalhando todos os dias, também notei que não adiantava tentar estender minhas atividades para além das 18h, sempre tem alguém passando nas salas ‘convidando’ para se retirar, é não por falta de educação não, é por respeito mesmo, a você e aos colegas. Esta reportagem exemplifica bem a importância desta flexibilidade http://glo.bo/q67ynN.

Mas a lógica por detrás disto é obviamente o resultado, não se iluda, eles são extremante competitivos, creio até que no primeiro aniversário de vida todo holandês ganhe de presente um exemplar de “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, e aos cincos anos quando vão para alfabetização será possível encontrar em suas mochilinhas uma edição da “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, de Max Weber. Mas que eles saber viver bem sabem, ganham dinheiro e ainda se divertem.

terça-feira, 28 de junho de 2011

I amsterdam


Em nossa 3ª semana na Holanda recebemos uma carta do ministério da imigração dizendo que nossos cartões de identidade já estavam prontos (residence permit), o único porém seria ter de viajar para ‘S-Hertogenboch (sértorrenbôs), a uns 60 Km de Wageningen. Como de praxe fomos de trem, afinal tudo por aqui é via trem, e assim ao meio dia já estávamos com o verblijfstitel na mão.

Com eu já havia avisado meu orientador de que viajaria para pegar o documento e estava liberado o dia todo, pensei, ”por que não desviar a rota e passar uma tarde em Amsterdam?”, afinal era um lindo raro dia de sol, até estava bem quente para os padrões holandeses (30ºC). Eis que fomos lá, da esquisita S-Hertogenboch para a impressionante Amsterdam, a começar pela estação de trem, um formigueiro com gente de todo o tipo. Como qualquer marinheiro de primeira viagem, compramos um guia ali mesmo na estação (tem de todos os preço e tipos), bastava então encontrar atrações pontuais, pois nosso tempo era curto.

Logo em frente à estação tem os bondinhos e ônibus turísticos, não tem erro, há opções de todo o jeito, no nosso caso optamos pelo City Sight Seeing, não é perfeito, mas ajuda a se encontrar na cidade e é possível subir e descer nas paradas numeradas de 1 a 9. Fizemos o tour e decidimos parar no Museumplein (parada nº 5), por dois motivos, um pela visita ao Museu Van Gogh, outro, pelo famoso letreiro “I amsterdam". 

Para quem ama as artes, a visita ao Van Gogh Museum é de tirar o fôlego, o acervo é impressionante, logo na entrada pode-se observar o famoso auto-retrato e iniciar uma viagem no tempo. Vincent Van Gogh decidiu ser um pintor aos 27 anos em 1880 e morreu aos 37 anos em 1890, deixando uma quantidade e qualidade de obras absurdamente impactantes para 10 anos de trabalho. Observar os traços do artista é compreender a genialidade de alguém que pintava em 3D, como definiu uma amiga, só mesmo vendo ao vivo para compreender, algo que fiz quando me deparei com os “Girassóis”, permanecendo minutos petreficado em frente àquela tela. 

Autorretrato (1887)
Girassóis (1889)












O museu também tem obras de outros autores, entre eles Odilon Redom (simbolismo), com meu quadro favorito de sua obra, “Buddah in his youth (Buda na juventude)”, mas quando você pensa que viu tudo, lá estava, no último andar, um legítimo Monet, e não menos que a obra “A ponte japonesa”, entre outras, como diria meu amigo Marcos da banda "O Bando do Velho Jack", “é de chorar”.

Buddah in his youth
Odilon Redon

The Japanese Bridge
Claude Monet

Para quem quer levar alguma lembrança, tem os souvenirs na Loja do museu, decidimos comprar uma réplica do “Wheatfield sob Thunderclouds” de 1890, (campo de trigo sob o céu nublado - umas das últimas obras) e um livro (em português) sobre a vida e obra de Vincent Van Gogh. No mais, almoçamos lá mesmo no café do museu e descemos à praça. Na verdade são tantos museus, tanta coisa a ser feita, que um dia é pouco, ainda mais em apenas uma tarde. 

Wheatfield under Thunderclouds (1890)
No Museumplein fica o leitreiro “I amsterdam”, devo dizer que todo mundo enlouquece quando vê aquilo. Flashes para todos os lados, com gente dependurada, outros de ponta cabeça, cada um escolhendo a pose perfeita. 



Pelo trajeto que fizemos não deu tempo de ir à casa de Anne Frank (fica para próxima), mas pelo menos tivemos um panorama geral da cidade em nossa primeira visita, assim já sabemos nos localizar. A última parada (nº 9) é no Damrak, onde fizemos uma caminhada pelo “Red Light District”, famoso pelos sexshops, cafeshops e pelas profissionais que fazem a alegria dos marmanjos. Nesta área aconselho a andar em grupos ou nas ruas mais movimentadas. O passeio de barco pelos canais fica para próxima, impossível não retornar!


quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Sistema Bancário Holandês






Um banco holandês, qualquer um que seja, não lembra em quase nada a loucura e as filas dos bancos brasileiros, aliás, para começar não há nem caixas, com aqueles intermináveis guichês (isto mesmo, não há caixas). Todas as transações são feitas diretamente nos caixas automáticos (eletrônicos) ou via internet, ou seja, pagamentos, depósitos, saques, praticamente tudo, somente via máquinas. Há diversos bancos, mas os mais procurados são o Rabobank, ING e o ABN-AMRO. Por já estar familiarizado com o Banco Real (atualmente Santander), resolvi abrir conta no ABN, afinal também ficava a uns 200 metros de casa.

Entrei e passei por um pré-atendimento, onde é feita a abordagem inicial e são solicitados os documentos para abertura de conta: a) Passaporte, b) BSNumber, C) Comprovante de Residência (Contrato de Aluguel na Holanda ou de residência oficial no Brasil) e d) Carta convite da Universidade. Como já tinha todos fui direto para a mesa do gerente e a conversa melhorou quando eu falei que era estudante de doutorado (já sabem até os valores da bolsa). Tudo muito rápido e direto, em 15 minutos (o tempo de tomar um cafezinho oferecido pelo gerente) já tinha o número da minha conta e as orientações básicas, que eu achava que tinha entendido, mas fui surpreendido quando chegou meu cartão (3 dias depois) acompanhado de uma maquininha chamada de e-indentifier (figura abaixo). 



Pronto, lá fui eu de novo no banco para ver o que era aquilo, que não passava simplesmente de um dispositivo para acessar e fazer transações em minha conta corrente onde quer que eu fosse. Como assim? Verdade, tal maquininha conecta em qualquer lugar, substitui aquele jogo de senhas malucas dos internet banking no Brasil, sendo acessado exclusivamente com a digitação do “PIN”, que nada mais é do que a senha. A atendente até tirou uma onda dizendo que “até uma velhinha de 99 anos conseguia manipular aquilo” (eu que achava era da geração Y saí do banco me achando um Neandertal). Há também o Chipknip, o chip do cartão, que você pode carregar em uma das diversas máquinas espalhadas pelo país, sistema este que funciona como se fosse um cartão pré-pago, porém sem necessidade de senha, pois a transação é feita diretamente e usa-se para pagamentos de pequeno valor como em estacionamentos, cinemas, transportes públicos. Para se ter uma idéia, nada se paga com dinheiro ou cartão de débito na Universidade, somente via Chipknip, assim para fazer sua refeição por lá somente com o chip devidamente carregado. 

Até agora não fui premiado com nenhuma cobrança “surpresa” de uma tarifa fantasma que come de centavos em centavos nosso rico dinheirinho (como ocorre nos bancos no Brasil), assim sempre sei exatamente nos centavos qual é meu real saldo e dessa forma espero que fique.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Segurança na Holanda: nem tudo são flores

Recentemente recebi uma carta da Polícia de Wageningen em minha caixa de correspondência, fiquei branco na hora, até porque estava em holandês e eu não entendia nada do que estava escrito, a não por ser um horário marcado à caneta. Mas minha preocupação durou pouco, logo acessei o Google Tradutor e compreendi um pouco do que se passava, na verdade a correspondência informava que houvera um furto na região, pior, em meu prédio (todos os moradores receberam a mesma carta), assim solicitava-se ajuda com quaisquer informações. Como a carta não era específica sobre o ocorrido não dei muito atenção. 

Noutro dia encontrei-me com a Blok (a feliz única corretora da cidade) e ela me disse que haviam levado todos os fios de cobre, entre outros materiais, reservados para a reforma que atualmente ocorre em meu prédio. Segundo a corretora os próprios trabalhadores eram suspeitos por terem vindo do “norte” do país. Lembrei-me de um certo país em que isto acontece também, o roubo de cobre e a discriminação e separação de um país em norte e sul, mas fiquei surpreso pela ocorrência em uma pequena cidade do interior da Holanda, mais surpreso fiquei ainda quando me disseram para tomar cuidado com minha bicicleta, pois não são raros os furtos. 

Indubitavelmente Wageningen é uma cidade segura, porém não está isenta de crimes, assim como em quaisquer lugares no mundo, mas por cautela sempre travo minha bike, ando por lugares mais seguros e lacro minha porta.