domingo, 24 de julho de 2011

A jornada (reduzida) de trabalho na Holanda

Demora um pouco para compreender o ritmo de trabalho holandês, especialmente para aqueles que estão habituados à jornada básica de oito horas diárias, daquelas do tipo 7h30 às 11h30 – 13h30 às 17h30. Aqui não funciona bem assim, primeiro por que eles compreendem claramente que quantidade não é qualidade, depois por que sabem que existe vida fora das empresas e a qualidade de vida fora do ambiente de trabalho reflete diretamente na produtividade e nos resultados. Notei inicialmente que as secretárias do departamento tinham uma escala alternativa, não trabalhando todos os dias, também notei que não adiantava tentar estender minhas atividades para além das 18h, sempre tem alguém passando nas salas ‘convidando’ para se retirar, é não por falta de educação não, é por respeito mesmo, a você e aos colegas. Esta reportagem exemplifica bem a importância desta flexibilidade http://glo.bo/q67ynN.

Mas a lógica por detrás disto é obviamente o resultado, não se iluda, eles são extremante competitivos, creio até que no primeiro aniversário de vida todo holandês ganhe de presente um exemplar de “A Riqueza das Nações”, de Adam Smith, e aos cincos anos quando vão para alfabetização será possível encontrar em suas mochilinhas uma edição da “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, de Max Weber. Mas que eles saber viver bem sabem, ganham dinheiro e ainda se divertem.

terça-feira, 28 de junho de 2011

I amsterdam


Em nossa 3ª semana na Holanda recebemos uma carta do ministério da imigração dizendo que nossos cartões de identidade já estavam prontos (residence permit), o único porém seria ter de viajar para ‘S-Hertogenboch (sértorrenbôs), a uns 60 Km de Wageningen. Como de praxe fomos de trem, afinal tudo por aqui é via trem, e assim ao meio dia já estávamos com o verblijfstitel na mão.

Com eu já havia avisado meu orientador de que viajaria para pegar o documento e estava liberado o dia todo, pensei, ”por que não desviar a rota e passar uma tarde em Amsterdam?”, afinal era um lindo raro dia de sol, até estava bem quente para os padrões holandeses (30ºC). Eis que fomos lá, da esquisita S-Hertogenboch para a impressionante Amsterdam, a começar pela estação de trem, um formigueiro com gente de todo o tipo. Como qualquer marinheiro de primeira viagem, compramos um guia ali mesmo na estação (tem de todos os preço e tipos), bastava então encontrar atrações pontuais, pois nosso tempo era curto.

Logo em frente à estação tem os bondinhos e ônibus turísticos, não tem erro, há opções de todo o jeito, no nosso caso optamos pelo City Sight Seeing, não é perfeito, mas ajuda a se encontrar na cidade e é possível subir e descer nas paradas numeradas de 1 a 9. Fizemos o tour e decidimos parar no Museumplein (parada nº 5), por dois motivos, um pela visita ao Museu Van Gogh, outro, pelo famoso letreiro “I amsterdam". 

Para quem ama as artes, a visita ao Van Gogh Museum é de tirar o fôlego, o acervo é impressionante, logo na entrada pode-se observar o famoso auto-retrato e iniciar uma viagem no tempo. Vincent Van Gogh decidiu ser um pintor aos 27 anos em 1880 e morreu aos 37 anos em 1890, deixando uma quantidade e qualidade de obras absurdamente impactantes para 10 anos de trabalho. Observar os traços do artista é compreender a genialidade de alguém que pintava em 3D, como definiu uma amiga, só mesmo vendo ao vivo para compreender, algo que fiz quando me deparei com os “Girassóis”, permanecendo minutos petreficado em frente àquela tela. 

Autorretrato (1887)
Girassóis (1889)












O museu também tem obras de outros autores, entre eles Odilon Redom (simbolismo), com meu quadro favorito de sua obra, “Buddah in his youth (Buda na juventude)”, mas quando você pensa que viu tudo, lá estava, no último andar, um legítimo Monet, e não menos que a obra “A ponte japonesa”, entre outras, como diria meu amigo Marcos da banda "O Bando do Velho Jack", “é de chorar”.

Buddah in his youth
Odilon Redon

The Japanese Bridge
Claude Monet

Para quem quer levar alguma lembrança, tem os souvenirs na Loja do museu, decidimos comprar uma réplica do “Wheatfield sob Thunderclouds” de 1890, (campo de trigo sob o céu nublado - umas das últimas obras) e um livro (em português) sobre a vida e obra de Vincent Van Gogh. No mais, almoçamos lá mesmo no café do museu e descemos à praça. Na verdade são tantos museus, tanta coisa a ser feita, que um dia é pouco, ainda mais em apenas uma tarde. 

Wheatfield under Thunderclouds (1890)
No Museumplein fica o leitreiro “I amsterdam”, devo dizer que todo mundo enlouquece quando vê aquilo. Flashes para todos os lados, com gente dependurada, outros de ponta cabeça, cada um escolhendo a pose perfeita. 



Pelo trajeto que fizemos não deu tempo de ir à casa de Anne Frank (fica para próxima), mas pelo menos tivemos um panorama geral da cidade em nossa primeira visita, assim já sabemos nos localizar. A última parada (nº 9) é no Damrak, onde fizemos uma caminhada pelo “Red Light District”, famoso pelos sexshops, cafeshops e pelas profissionais que fazem a alegria dos marmanjos. Nesta área aconselho a andar em grupos ou nas ruas mais movimentadas. O passeio de barco pelos canais fica para próxima, impossível não retornar!


quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Sistema Bancário Holandês






Um banco holandês, qualquer um que seja, não lembra em quase nada a loucura e as filas dos bancos brasileiros, aliás, para começar não há nem caixas, com aqueles intermináveis guichês (isto mesmo, não há caixas). Todas as transações são feitas diretamente nos caixas automáticos (eletrônicos) ou via internet, ou seja, pagamentos, depósitos, saques, praticamente tudo, somente via máquinas. Há diversos bancos, mas os mais procurados são o Rabobank, ING e o ABN-AMRO. Por já estar familiarizado com o Banco Real (atualmente Santander), resolvi abrir conta no ABN, afinal também ficava a uns 200 metros de casa.

Entrei e passei por um pré-atendimento, onde é feita a abordagem inicial e são solicitados os documentos para abertura de conta: a) Passaporte, b) BSNumber, C) Comprovante de Residência (Contrato de Aluguel na Holanda ou de residência oficial no Brasil) e d) Carta convite da Universidade. Como já tinha todos fui direto para a mesa do gerente e a conversa melhorou quando eu falei que era estudante de doutorado (já sabem até os valores da bolsa). Tudo muito rápido e direto, em 15 minutos (o tempo de tomar um cafezinho oferecido pelo gerente) já tinha o número da minha conta e as orientações básicas, que eu achava que tinha entendido, mas fui surpreendido quando chegou meu cartão (3 dias depois) acompanhado de uma maquininha chamada de e-indentifier (figura abaixo). 



Pronto, lá fui eu de novo no banco para ver o que era aquilo, que não passava simplesmente de um dispositivo para acessar e fazer transações em minha conta corrente onde quer que eu fosse. Como assim? Verdade, tal maquininha conecta em qualquer lugar, substitui aquele jogo de senhas malucas dos internet banking no Brasil, sendo acessado exclusivamente com a digitação do “PIN”, que nada mais é do que a senha. A atendente até tirou uma onda dizendo que “até uma velhinha de 99 anos conseguia manipular aquilo” (eu que achava era da geração Y saí do banco me achando um Neandertal). Há também o Chipknip, o chip do cartão, que você pode carregar em uma das diversas máquinas espalhadas pelo país, sistema este que funciona como se fosse um cartão pré-pago, porém sem necessidade de senha, pois a transação é feita diretamente e usa-se para pagamentos de pequeno valor como em estacionamentos, cinemas, transportes públicos. Para se ter uma idéia, nada se paga com dinheiro ou cartão de débito na Universidade, somente via Chipknip, assim para fazer sua refeição por lá somente com o chip devidamente carregado. 

Até agora não fui premiado com nenhuma cobrança “surpresa” de uma tarifa fantasma que come de centavos em centavos nosso rico dinheirinho (como ocorre nos bancos no Brasil), assim sempre sei exatamente nos centavos qual é meu real saldo e dessa forma espero que fique.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Segurança na Holanda: nem tudo são flores

Recentemente recebi uma carta da Polícia de Wageningen em minha caixa de correspondência, fiquei branco na hora, até porque estava em holandês e eu não entendia nada do que estava escrito, a não por ser um horário marcado à caneta. Mas minha preocupação durou pouco, logo acessei o Google Tradutor e compreendi um pouco do que se passava, na verdade a correspondência informava que houvera um furto na região, pior, em meu prédio (todos os moradores receberam a mesma carta), assim solicitava-se ajuda com quaisquer informações. Como a carta não era específica sobre o ocorrido não dei muito atenção. 

Noutro dia encontrei-me com a Blok (a feliz única corretora da cidade) e ela me disse que haviam levado todos os fios de cobre, entre outros materiais, reservados para a reforma que atualmente ocorre em meu prédio. Segundo a corretora os próprios trabalhadores eram suspeitos por terem vindo do “norte” do país. Lembrei-me de um certo país em que isto acontece também, o roubo de cobre e a discriminação e separação de um país em norte e sul, mas fiquei surpreso pela ocorrência em uma pequena cidade do interior da Holanda, mais surpreso fiquei ainda quando me disseram para tomar cuidado com minha bicicleta, pois não são raros os furtos. 

Indubitavelmente Wageningen é uma cidade segura, porém não está isenta de crimes, assim como em quaisquer lugares no mundo, mas por cautela sempre travo minha bike, ando por lugares mais seguros e lacro minha porta.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A primeira reunião

Forum - Prédio principal da WUR


Enfim chegou o dia da minha primeira reunião com meu grupo na universidade, marcada para a segunda (06/06), pontualmente às 12h15 (estranhei o horário por ser na hora do almoço). Mas antes cabe compreender a dimensão da Universidade de Wageningen, oficialmente fundada em 1918 objetivando ser a sucessora da escola de agricultura de Wageningen (criada em 1876), figurando em 144º no ranking mundial da “Times Higher Education” (a Holanda tem 10 universidades entre as 200 melhores do mundo) sendo altamente reconhecida internacionalmente pela formação e desenvolvimento de pesquisas agrícolas e ambientais. Meu grupo, RSO – Rural Sociology Group conta com 65 anos existência realizando pesquisas ao redor do mundo.

Voltando a reunião, chegando à sala da secretaria, logo me apresentei à Corine (secretária do grupo) que me passou algumas orientações entre elas a tradição de fazer reuniões na hora do almoço, ou melhor, a reunião seria durante a refeição. Fiquei tranqüilo por não ser o único novato, uma nova doutoranda mexicana chamada Gina também seria apresentada ao grupo. Assim fomos ao refeitório, cada um servindo sua parte (self-service), porém não é uma refeição como no Brasil, como disse em post anterior, esqueça o arroz, feijão e fartura de carne, nada disso, aqui você pode servir-se de pães integrais, saladas (incluindo uma maionese), frutas frescas, queijos, presunto, sucos e para os viciados como eu, refrigerante (preferencialmente aquele do “open happiness”), e aí foi meu erro. Servimo-nos, a Corine foi gentil e pagou para mim e para a Gina (pagamento somente via chipknip, explico mais tarde) e assim subimos para a Reunião. 

Na sala de reunião, com mesa em forma de “U”, estavam professores, pesquisadores, estudantes de doutorado e secretarias do grupo (que são duas na verdade, Coby e Corine), todos com seu “lanchinho”, quer dizer, almoço. Sentei-me e para meu desespero, comecei a notar que todos no grupo ali seguiam a linha natural e saudável de alimentação, com saladas, sucos naturais, pães integrais, sementes, etc, incluindo meu orientador, que ao meu lado, servia-se de frutas frescas e leite orgânico, enquanto eu me deliciava com um refrigerante. Fiquei constrangido, não que eles fossem me recriminar ou reparar, até por que na Holanda ninguém invade seu espaço, mas eu deveria ter compreendido melhor o perfil do grupo e ter levado um suco natural. 

A reunião é objetiva, com hora para começar (12h15) e hora para terminar (13h30), sem enrolação, seguindo uma pauta previamente estabelecida, dando a oportunidade para que cada um dos integrantes se expresse e comunique ao grupo o andamento de suas atividades, tudo isto registrado em ata, com posterior cobrança sobre os resultados obtidos. O melhor de tudo é ver que estas reuniões dão resultado e as palavras não ficam ao vento. Minha fala foi aquela de iniciante, apresentando-me, agradecendo ao grupo pelo estágio, etc, nem tinha muito o que falar, aliás, falar demais também eles não gostam, assim é preciso objetividade, sem nhém-nhém-nhém, mas se você falou, está registrado, se apresentou metas, cumpra-as, assim não assuma compromissos além das suas possibilidades, melhor qualidade e poder de execução do que quantidade, execução duvidosa ou não cumprimento das metas.

domingo, 12 de junho de 2011

Uma cidade de 750 anos



Durante minha primeira semana na Holanda, já devidamente instalado e com todos dos trâmites documentais em andamento, fiz um “reconhecimento” visitando os pontos principais de Wageningen, que na verdade é quase uma adolescente na Europa, fundada em 1263, tendo sido povoada em torno de uma igreja construída pelas guildas mediavais, assim vai assoprar 750 velinhas em 2013. Caminhar pela cidade é ver a história passar pelos olhos, com casas, igrejas e museus, como o Museu De Casteleese Poort, antigo castelo do Senhor de Wageningen. A cidade também é famosa por ter sido o local da rendição alemã ao General Charles Foulkes, pondo fim a II Guerra em solo Neerlandês, assinando-se os termos no Hotel De Wereld ( O Mundo) . Quem quiser saber mais pode acessar a página da municipalidade de Wageningen e ler toda a história em detalhes. 

A municipalidade de Wageningen encontra-se na Província de Gelderland (maior província da Holanda), que tem como capital a cidade de Arnhem (há 17 km). Situa-se no Veluwe, uma região de florestas (ou o que restou delas) que caracteriza o antigo Ducado da Guéldria, sendo delimitada pelo Vale de Gelderland e pelo rio Rino. O Porto de Wageningen é importantíssimo para região, o que no passado levou a pensar que a cidade teria importante papel comercial na província, o que não se provou verdade e enfim decidiram transformar-la em um pólo de ensino técnico agrícola e posteriormente em um pólo universitário, o que em suma salvou a cidade e sua razão de ser, transformando-a na “Cidade das Ciências da Vida” (City of Life Ciences). 

O centro comercial é bem ativo, boas lojas, bons bares, boa qualidade e bons preços (menos nos restaurantes), tem de quase tudo para contentar os 37.000 habitantes, 8.000 destes envolvidos de alguma forma com a Universidade. Há também cinema e teatro (Heeren Straat Theater) e até coffeshopps. O horário comercial é diferente do que estamos habituados no Brasil; nada abre na segunda pela manhã, sendo que em geral as lojas abrem às 9h e fecham às 17h, exceto às sextas quando fecham às 21h. Os bares em volta da Igreja Grote Kerk of Johannes de Doperkerk - Igreja de João Batista – (parcialmente destruída na II Guerra Mundial) na Rua Markt são um charme a parte, com as pessoas reunindo-se para jantares à luz do sol (especialmente no verão onde pôr-do-sol é próximo das 23h). A cidade também é repleta de parques, como o Dreijen Arboretum e o Belmonte (meu preferido por ser o mais democrático deles), onde as pessoas costumam fazer sua “fotossíntese” dado que sol aqui é raridade. Há também um moinho histórico (De Vlijt) quase no centro onde são vendidos produtos orgânicos (onde compro meus cereais e cafés). 

Nesta minha primeira semana havia um parquinho do tipo americano instalado no centro da cidade, foi um evento, todo mundo lá, de mamando a caducando, todos brincando e se divertindo com os brinquedos e brincadeiras, inclusive eu e minha esposa, que perdemos 10,00€ tentando ganhar um celular e ursinho (este para a patroa, fique bem claro) na garra mecânica. 

Wageningen é uma excelente cidade, os meios de transporte são eficientes, ciclovias por toda cidade, alta qualidade de vida, tranquila, com quase tudo que se precisa, índices de violência quase nulos (demorei 10 dias para avistar um policial nas ruas) e clima agradável (menos no fim do outono e no inverno). Contudo é uma cidade universitária, ou seja, durante as férias estudantis corre-se o risco de morrer de tédio nos finais de semana, assim reserve uns euros para viajar de trem e aproveitar para conhecer outras cidades da região, valerá a pena.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A alimentação holandesa

Assim que se recebe a primeira refeição dentro do avião da KLM já dá para perceber a diferença na comida holandesa, sentindo-se um tempero diferente que dá ao alimento um sabor típico do país, o qual ainda estou tentando decifrar, embora já tenham me dado uma dica de que prevalecem a “Paradise Pepper” e o "Curry". De qualquer forma é diferente do sabor brasileiro, ficando evidente isto quando se está solo holandês, onde quase tudo terá aquele sabor que no começo você não exatamente o que é, mas terá um gosto típico nativo. 

Aconselho a esquecer o feijão com arroz, posso dizer que até há nos supermercados, mas não da forma como se encontra no Brasil. As refeições também seguem um ritmo um pouco diferente, iniciando-se com bom café da manhã chamado de “ontbijt” que pode consistir de cereais, corn flakes, fatias de pão com pasta de amendoin, geléias, frios, queijos ou granulados de chocolate no pão, algumas vezes também com um feijão com molho de tomate (agridoce). 

O almoço holandês não é exatamente um almoço, mas quase um lanche se comparado ao Brasil (em torno das 13h), configurando-se em uma refeição sempre com um bom pão integral (a variedade de pães aqui é imensa) acompanhado de um suco, chá ou até leite, como faz meu orientador holandês, que come frutas frescas acompanhadas por um “Biologisch Milk” (leite orgânico). Alias, comida orgânica e saudável não faltará por aqui, se há um pais que leva a fundo a concepção de comida saudável, este é a Holanda, nunca vi tamanha variedade de produtos orgânicos disponíveis, assim, aqui não há desculpa para não se alimentar bem. 

O jantar holandês é servido por volta das 18h e é considerada a mais reforçada das refeições, com pratos frequentemente a base de peixe, carne de porco e frango. Alguém perguntou por carne bovina? Pode esquecer também, não que não haja, mas a oferta é inferior à carne brasileira e consequentemente os preços são salgados, desta forma se você tem hábitos carnívoros de um típico gaúcho ou sul-matogrossense certamente sentirá a ausência de carne bovina no prato, mas sobram batatas, a base da alimentação holandesa, além de legumes, assim dá para purificar a “matéria”. Sopa também não faltará, pois são bastante apreciadas na Holanda e as mais comuns são as de tomate e de legumes. Para quem gosta de doce, não se preocupe, um holandês não resiste uma sobremesa, especialmente uma torta que em geral é servida após o jantar, seguida com um bom café acompanhado de uma bolachinha.

Entrar em um supermercado holandês é um choque, especialmente para quem não mora nos grandes centros do Brasil, primeiro pela variedade e diversidade produtos em oferta, depois pela flagrante qualidade. Tem alimento para todos os gostos, desde os mais industrializados aos “biologisch”, pães, leite e sucos nem se fala, mas o melhor de tudo mesmo é não ser obrigado a comprar “bebidas lácteas” disfarçadas de iogurte, pois aqui o leite é levado muito sério e é praticamente um orgulho nacional. Considero o Albert Heijn o melhor supermercado e de praxe o mais caro também, é o Zaffari deles (Porto Alegre) ou Comper 24h (Campo Grande). Para mim é cômodo falar do Albert Heijn pois moro bem em cima de dele, mas quando me estresso com o preço , pego minha bicicleta, ponho a patroa na garupa e vamos ao C100 ( 1,5 km) , que se equipara ao Nacional (Porto Alegre) e à Rede Econômica (Campo Grande). 













Aconselho a tentar apreciar o sabor e o aroma da culinária holandesa, afinal, como visitante deve-se respeitar os costumes locais e não custa nada aproveitar a estada para apreciar bons pratos holandeses. Para quem ousar gastar, pode-se visitar alguns restaurantes, os quais cobram preços realmente salgados, mas isto é assunto para outro post.