quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Clima e temperatura em Wageningen

Arquivo pessoal: pôr-do-sol em Wageningen às 22h30

No território holandês predomina o chamado vento sudoeste, que provoca um clima marítimo moderado, caracterizado por verões não quentes, mas suaves, (média de 23°C) e invernos muito frios, mas não muito intensos (média de 0° C). As precipitações (aquilo que os meteorologistas chamam de chuva, granizo e até neve) apresentam uma média de 70mm mensais, com menores variações na primavera (45mm em média). Bom, quer saber? Isto é o que dizem os meteorologistas, prefiro trazer um relato próprio sobre o clima na Holanda e especificamente em Wageningen. 

Na verdade a Holanda tem quatro estações bem definidas, “frio”, “mais frio”, “mais frio ainda” e “congelante”. Em geral na Holanda chove quase todo dia, porém para meu desespero em Wageningen normalmente chove num dia, no outro também. Trata-se de uma cidade que tem uma relação íntima com a chuva, quando acontecem períodos como o que estão ocorrendo neste início da estação “mais frio ainda” (também conhecida como outono), onde há quase uma semana não chove e o sol aparece todos os dias, até o holandês mais agnóstico começa achar que Deus existe. 

Se o tempo na Holanda é maluco, em Wageningen é sequelado, pois um dia pode começar com sol e agradável, ainda pela manhã chover, no começo da tarde esfriar, chover de novo e no fim da tarde abrir aquele sol. Para mim, em termos de clima, a melhor parte do dia em Wageningen é a noite, especialmente na estação do “frio” (aquilo que os holandeses chamam de verão), quando o sol se põe por volta das 22h30. Sim, eu não sei por que, ou como, quase sempre ao final da tarde o tempo abre e ao menos por alguns minutos nos faz lembrar que o sol existe. Contudo não há escapatória, quem vem morar em Wageningen deve estar preparado para encarar longas pedaladas na bicicleta sob congelantes ventos e gotas de chuva. Assim, capas e guarda-chuvas são itens obrigatórios em que qualquer estação do ano. 

Voltando ao meu lado meteorologista, a figura 01 apresenta as médias de temperatura e precipitações em Wageningen. Note que em geral as médias de chuvas variam de 132mm a 231mm, ou seja, o mês que chove menos por aqui equivale ao mais chuvoso mês de uma cidade como Porto Alegre, que até então eu considerava uma cidade úmida. Falando em umidade, quando ela chega a 40% já tem holandês passando mal nas ruas. 

Figura 01 - Temperatura e chuva em Wageningen
Fonte: World66 Travel Guide

Não falarei sobre a estação “congelante” (vulgo inverno) pois ainda estamos no “mais frio ainda” (vulgo outono) e ainda não experimentei esta parte do clima. Entretanto já comecei a ficar com medo pelo nível das roupas de frio que começaram a ser vendidas nas lojas; se vier o inverno ( que dizer, “congelante”) que eles estão esperando, estou perdido. Assim, meu amigo, minha amiga, prepare-se para agüentar as baixas temperaturas (fez -11°C no último inverno, quer dizer, “congelante”), ainda que os sistemas de calefação das casas e dos ambientes de trabalho, ou mesmo nas lojas, sejam eficientes e podem trazer a sensação de uma percepção menor do frio. 

Com toda esta confusão meteorológica fica claro que não dá para sair de casa sem olhar a previsão do tempo, segue então uma lista dos principais sites que o manterão informado sobre o tempo em Wageningen. Mas cuidado, olhe mais de uma vez ao dia, pode haver mudanças repentinas: WeatherBug, AccuWeater, Meteox, WeatherForecast , Foreca

O verão (vulgo frio) passou por aqui e eu nem vi, para não dizer que não fez calor teve um dia, um único dia, em que me lembro de beirarmos os 30° C. Foi um dia tão bom, mas tão bom, que não valia a pena desperdiçá-lo em Wageningen, fomos eu e minha esposa para Amsterdam.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Cortando e cuidando dos cabelos na Holanda


Segundo o Instituto Euromonitor International o Brasil ocupa a 3ª posição no mundo no consumo de produtos de beleza, apresentando um aumento 26% nas vendas de 2009 a 2010. Esta pesquisa só vem a confirmar algo que já sabíamos, o brasileiro é vaidoso, mais agora com dinheiro no bolso. Em relação aos serviços, o aumento de 78% dos Salões de beleza em 5 anos (550.590 no pais) e o aumento de 64% de trabalhadores no setor, incluindo cursos superiores de formação especifica de cabeleireiros e esteticistas, demonstram o peso da exigência do consumido brasileiro (fonte: Anabel e Beauty fair). 

Sendo assim, saindo do economês e partindo para a prática do dia-a-dia, o que pretendo dizer é que ao vir à Holanda, uma hora ou outra você precisará adquirir de produtos relacionados à beleza e finalmente de um cabeleireiro. Para os homens a situação é mais simples, basta comprar uma máquina e mandar ver no cabelo (a minha custou 32 euros), mas quem não estiver afim de praticar o auto corte, vá em frente, escolha um bom KapperSalon (Salão de cabeleireiros) e pague a bagatela de 14 a 28 euros em média (R$ 35 a R$ 70) por um simples corte de cabelo masculino. Tem preços mais baratos? Tem sim, no mural da universidade vi um anúncio de um acadêmico oferecendo os serviços para corte à máquina por 5 euros (alguém se arrisca?). O lado bom também para os homens é poder comprar o kit para fazer a barba a preços mais convidativos que no Brasil (barbeador, espuma, loção, etc) bem como bons perfumes de marcas famosas. 

Porém para as mulheres o problema é bem mais grave, primeiro, por ter de tentar traduzir todos os produtos básicos do Holandês para o português. Certa vez, por exemplo, minha esposa conversou com uma brasileira que estava há um mês na Holanda e não conseguia tirar o esmalte das unhas por não conseguir identificar o que era acetona ou não nas lojas (vai a dica: aceton ou nagelak remover). O segundo e imutável problema relaciona-se com os péssimos serviços oferecidos pelos cabeleireiros e cabeleireiras da Holanda, simplesmente assustadores. Sinceramente, não conhecemos nenhuma brasileira que tenha entrado em um salão de beleza holandês e tenha saído sem vontade de pular de uma ponte (na Holanda não faltam opções de pontes). 

Desta forma, após ouvir diversas especialistas no assunto, inclusive minha esposa (Jackeline Espíndola) que me ajuda a escrever sobre este assunto tão delicado chamado “beleza”, desaconselho a procurar um salão de beleza holandês (a não ser em caso de extrema necessidade). Quer dizer que não há solução? Lógico quem tem, pode-se seguir o caminho do "faça você mesmo" (tintura, auto corte, etc), ou buscar profissionais brasileiros na Holanda que suprem com louvor esta grave lacuna, basta procurar por eles na internet (o site Brasileiros na Holanda, referência na comunidade brasileira na Holanda, tem vários anúncios). Mas em Wageningen infelizmente não identificamos nenhum profissional que pudesse acudir os cabelos de minha esposa que perduravam um longo tempo sem o tratamento profissional. Há profissionais em Ede e Utrecht, porém como esse negócio funciona por meio de indicações, a Jackeline resolveu aproveitar uma de nossas viagens à Amsterdam e visitar um excelente profissional chamado Mazinho (Mazinho's Hair), um carioca que vive há 20 anos na Holanda e conquistou seu espaço no mercado (indicação de Márcia Curvo, criadora do site Brasileiros na Holanda). 

Mazinho e Jackeline 
Jackeline na Rua das Flores em Amsterdam


















Cada um atribui um peso ao fator “cuidados pessoais” e a escolha sobre qual caminho seguir é individual, ainda mais se tais escolhas estão relacionadas à adaptação ao contexto de um outro país. Segundo seu perfil, determine seus limites e metas, o que está em seu topo de necessidades ou não, tome suas decisões, mas não diga que não avisei.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Assistência médica e farmácias


Saúde é coisa séria, tudo mundo sabe, e está no topo das prioridades humanas. Porém, deve estar mais no topo ainda quando se pretende viajar a outro país, devendo constar esta preocupação como prioritária no planejamento de quem deseja dedicar-se aos estudos com tranquilidade. 

O sistema de saúde na Holanda é financiado basicamente pelo sistema de seguros, que é obrigatório para a chamada baixa renda (leia-se uns 3.000 euros por mês) por meio de um seguro subsidiado pelo governo (o tal do ziekenfonds) e de livre escolha para os que têm salários mais altos. Para quem vem estudar na Holanda o seguro é obrigatório e condicionante para o visto MVV, que pode ser feito tanto no Brasil quanto em uma seguradora na Holanda, valendo também os Planos de Saúde que tem cobertura internacional. Para quem vem a Holanda sem seguro a situação é complicada, porém o acesso à saúde é um direito de todos, inclusive aos não documentados (ilegais no pais), assim todas as pessoas que necessitem de auxílios médicos e hospitalares emergenciais ou mesmo essenciais serão atendidos. 

O tão sonhado Programa de Saúde da Família (PSF) do Brasil é aplicado no sistema de atendimento holandês, ou seja, não adianta ir direto a um médico especialista, é preciso primeiro passar pelo practitioner (clinico geral), que fará uma avaliação, explorará todas as alternativas possíveis e somente então, se houver real necessidade, encaminhará o paciente para um atendimento de um especialista. O sistema é bom, mas cerceia a liberdade do paciente de ir direto a um especialista, como no caso das mulheres, que precisarão passar pelo clínico geral, mesmo sabendo que precisam de um ginicologista ou um obstetra em caso de pré-natal. O pré-natal aliás é feito pelo clinico geral, que encaminha a paciente a um especialista somente em caso específicos de risco da mãe ou do bebê. 

Quem vem estudar na Wageningen University (WUR) já tem o seguro saúde praticamente encaminhado pelo contato de imigração, bastando apenas dar continuidade aos pagamentos mensais (em geral por débito automático em conta corrente). A universidade também conta com clínicos gerais (conveniados) especializados no atendimento de estudantes de todas as nacionalidades, o que minimiza o impacto cultural quando da necessidade de atendimento. Minimiza, mas não impede surpresas (experiência própria). O fato é que na primeira semana em Wageningen, ou o quanto antes, é preciso cadastrar-se em dos clínicos gerais, apresentando para tanto um formulário com informações médicas pessoais (fornecido pela WUR), cópia do passaporte (aquela parte com foto) e cópia do seguro saúde. Na verdade são dois médicos para a comunidade universitária (não, não estou brincando, são só dois mesmo), a Dr.ª S. van Dinther e o Dr.º R. van der Duin (escolhido por nós na base do “cara ou coroa”). Para maiores informações segue o link do site da WUR que trata da assistência à saúde do estudante http://migre.me/5GXwU e do site da equipe médica http://migre.me/5GXAR . Observe que no site dos médicos há horários específicos para marcação de consultas e atendimentos (não adianta tentar nada fora do horário, eles não atendem, a não ser em caso real de emergência). Também há a possibilidade de consultas on-line, com prescrição e se preciso renovação de receitas, ou seja, se o estudante quiser nem verá a cara do médico. 

Minha esposa precisou recentemente de uma consulta médica, devo dizer que a marcação foi bem rápida, apenas dois dias após o agendamento. E lá fomos nós para rua Duivendaal 4, 6706AR, para a consulta conforme programado com o simpático Drº Van der Duin. Simpático mesmo, este médico é uma figura, parece até um personagem tirado dos Piratas do Caribe (parente do Jack Sparrow, eu acho). Primeiro perguntou o que minha esposa estava fazendo ali, pois não tinha cara de doente (doente tem cara?). Após ouvir os sintomas, confabulou sobre as possíveis causas e receitou um remédio para ver se "resolvia". Por fim, ao saber de nossa diferença de idade (sou 11 anos mais velho que ela), disse que eu era “esperto” e tinha sorte (cada um que me aparece). Como brasileiros que somos, ficamos esperando pela receita, “Mas que receita?” disse o médico. Simples, aqui na Holanda não existe aquele “garrancho” ridículo e ilegível rabiscado num papel que confunde até o mais experiente balconista de farmácia (trabalhei 5 anos em farmácias e sei do que estou falando), mas há sim uma receita bem digitada que é enviada diretamente à farmácia de sua escolha. 

Wageningen, com seus 37.000 habitantes, conta com apenas três farmácia: 1) Service Apotheek van Weringh, 2) Apotheek J. ten Hoopen B.V, 3) Churchill Kring-apotheek . Provavelmente se você passar por uma delas nem se dará conta que é uma farmácia, eu por exemplo passava em frente à Van Weringh (nossa escolha) todos os dias e nunca imaginei que ali funcionasse uma farmácia. De qualquer forma lá fomos nós, logo após a consulta, direto para farmácia, e na entrada nem adianta ir direto ao balcão, é preciso antes pegar uma senha, sentar e aguardar civilizadamente. O atendimento é rápido e prático, perguntam o nome do paciente e o nome do médico, localizam a receita, e se o medicamento estiver disponível já entregam na hora. Vale dizer que o seguro reembolsa todos os medicamentos devidamente receitados (verificar o procedimento em sua seguradora).





A impressão que fica é que o sistema de saúde holandês é excepcional, nem preciso falar que em muitos aspectos, não em todos, é melhor do que no Brasil, essencialmente por atender a todos por um valor que considero simbólico, 40 euros por mês em média (R$ 100,00). Porém o sistema limita muito a liberdade de escolha do paciente, sem falar que um ‘doente’, na acepção da palavra, parecer ser alguém praticamente à beria da morte para um médico holandês. A impressão que passa também é que saúde e custo são irmãos siameses, predominando mais os interesses sobre os custos do que os interesses pela saúde. 

Falei dos médicos, mas ainda não falei dos dentistas. Aí meu amigo (a), torça para não precisar de assistência odontológica, e esta é outra história para um outro por do sol. 


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Como treinar seu holandês


A primeira e inegável constatação sobre a cultura neerlandesa é que um holandês será sempre um holandês, não adianta estranhar, eles são assim mesmo, seguem sempre um modus operandi característico e único. Inevitavelmente você observará diferenças comportamentais muito divergentes em relação à cultura brasileira e portuguesa. 

Mas vamos a algumas lições importantes que podem ajudar na relação diária com os nativos, especialmente na arte de como treiná-los. Sim, você vai precisar treinar seu holandês, que pode ser um orientador, um chefe, um amigo, um Landlord (proprietário de imóvel), um gerente do banco, colega, companheiro ou companheira, etc, ou seja, todo mundo na Holanda tem um holandês para treinar, e digo ainda que é um serviço à sociedade que deveria ser reconhecido pela ONU. 

Vamos pelo começo, ensine seu holandês que você tem o direito de dizer NÃO. O NÃO é uma palavra tão sagrada quanto o SIM. Porque eu digo isso? É que em geral um holandês típico não está preparado para ouvir uma resposta negativa sobre qualquer assunto que seja, e quando um NÃO aparece repentinamente é como se fosse uma bomba. Verdade, eles ficam tentando compreender, segundo um raciocínio lógico, porque você disse NÃO. Por exemplo, você NÃO é obrigado a alugar uma casa ou apartamento que foi visitar e não gostou, assim basta dizer NÃO gostei e não quero alugar. Pode ter certeza que seu holandês ficará perguntando os porquês, ou “mas é um local tão bom, o que há de errado”. O que há de errado é que geralmente tentam empurrar para nós expats (estrangeiros) imóveis que certamente eles não morariam. Se alugou, ensine seu holandês a avisar quando vêm à sua residência recém locada, nem que seja por email ou um bilhetinho na caixa postal. Infelizmente alguns Landlords (pelo menos na minha experiência), tem a péssima mania de aparecerem de surpresa, como se estivem vigiando o imóvel. 

Se você entrar em supermercado holandês perceberá também que há apenas entradas com portinholas automáticas que regulam o fluxo de clientes, dando a impressão de que se entrou, tem de comprar. Não cai nessa, você tem o direito de apenas olhar e NÃO comprar, em qualquer loja da Holanda, mesmo que eles olhem feio. Dizer NÃO a um holandês é um bem que você faz a comunidade internacional e a eles mesmos, afinal não foram preparados para situações além do planejado, muitas vezes não sabendo perder. Aliás esta é próxima lição, ou seja, ensine seu holandês que ele não vai ganhar sempre e que negociar não significa que só uma única parte ganha numa transação (em geral eles estão programados para não perder nada). 

No mundo teórico da administração aprende-se que as melhores negociações são aquelas do tipo “ganha-ganha”. No mundo holandês as negociações são do tipo “eu sempre ganho e não tem discussão”. Assim, ensine seu holandês a ceder também, demonstrando que não dá para ganhar todas, expondo seu ponto de vista, argumentado suas razões e jamais se colocando em posição de inferioridade numa negociação. Eles já são bem altos, e você baixar a cabeça então já era, está dominado, e você perderá o controle do seu holandês para sempre. 

Seu holandês precisa saber que você tem direito de opinião, mas não apenas formalmente, isto eles já fazem, mas digo de verdade e pra valer, de forma que suas opiniões e argumentações sejam também implementadas e não figurem apenas nas atas das reuniões. 

Nas relações de coleguismo ou amizade, ensine ao seu holandês que um jantar em sua casa, uma saída para bar ou uma caminhada no parque não são um appointment (compromisso formal). Deixe claro que estas atividades são diversão e não trabalho. Como administrador de empresas e funcionário público considero-me um burocrata nato, tenho a formalidade na veia, porém até para mim os holandeses extrapolam. 

Um passo mais adiantado neste treinamento, e que requer técnicas avançadas e de ponta, é treinar seu holandês na compreensão de que a Holanda não é perfeita. Pronto, falei! Sim, há falhas, trens e ônibus atrasam (algumas vezes os horários são modificados arbitrariamente nos displays dos pontos e estações), não há segurança alimentar (a alimentação é uma preocupação diária), ou seja, são reféns dos supermercados (dos seus horários e altos preços), a previsão do tempo também é uma loucura, muda no mínimo duas vezes por dia (não há el niño que justifique isto), a preocupação com a natureza está sempre relacionada a aspectos de custos e alocação de recursos (e não pelo seu valor intrínseco). Assim, não se iluda, seja crítico, e ensine ao seu holandês que você tem o direito de ser crítico (com fundamentação e bom senso, logicamente). 

Contrariar um holandês não é crime, eles precisam saber disso e você pode treinar seu holandês a entender que você tem opinião própria e ela não é figurativa. Tudo isto vai depender do poder de argumentação de cada um, o que contudo não é uma questão só de domínio do inglês, é uma questão de postura. Olhe sempre nos olhos (ainda que seu holandês tenha uns 2 metros de altura), fale com firmeza e não se diminua por ser um expat, ao contrário, demonstre que você está aqui também para contribuir para a sociedade holandesa por um determinado período, mas para isto é preciso que sua voz seja ouvida de forma efetiva e não relativa. Assim, mãos à obra, você já treinou seu holandês hoje?

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Aprendendo Inglês em Wageningen


Uma das características básicas do sistema de educação holandês é que o estudo de inglês faz parte do currículo desde as etapas iniciais do aprendizado infantil, o que o proporciona a quase todos a fluência no idioma (basicamente o inglês britânico). Assim todo mundo fala inglês na Holanda (com algumas poucas exceções), mas com diferentes níveis de conhecimento do idioma, em geral sendo usuários independentes (B1 e B2 no sistema de avaliação europeu) e os mais academicamente instruídos proficientes (C1 e C2). Inicialmente é preciso esclarecer sobre o Quadro Comum de Europeu de Referência de Linguagem que na Universidade de Wageningen é medido pelo Oxford Online Placement Test (OOPT), resumidamente apresentando a seguinte pontuação e descrição: 

A1
Usuário básico, OOPT = 01 - 20
A2
Usuário básico, OOPT = 20 - 40
B1
Usuário Intermediário, OOPT = 40 - 60
B2
Usuário Intermediário, OOPT = 60 - 80
C1
Usuário Proficiente, OOPT = 80 - 100
C2
Usuário Proficiente, OOPT = 100 - 120

Mas e ao estudante ou visitante que chega à Wagenigen e quer aprender ou melhorar o inglês, quais são as opções? Bom, estamos falando de uma cidade do interior da Holanda, que por mais que seja uma cidade universitária apresenta deficiências no acesso a serviços, em especial às escolas de idiomas. Assim é preciso garimpar os cursos adequados ao que cada um precisa, de acordo com necessidades individuais. Façamos então uma avaliação das principais opções disponíveis. 

A primeira delas é oferecida pela própria Universidade de Wageningen por meio do Language Service, que oferece desde o Inglês I ao Inglês IV, onde ao final espera-se que estudante atinja o nível B2. A partir daí há os cursos de redação científica específicos para estudantes de doutorado, onde requer-se no mínino uma pontuação de 70 pontos no OOPT para ingresso (B2). Para fins curiosidade, fiz o OOPT e minha pontuação é 81 (C1), assim me matriculei naquele curso para fins de preparação para redigir adequadamente a tese em inglês. Os cursos são caros para quem é de fora da universidade, a partir de 480 euros, mas acessíveis para os acadêmicos e funcionários a partir de 90 euros. Estudantes de doutorado brasileiros e chineses tem muitas vezes o privilégio de terem estes cursos bancados pelo próprio grupo a que estão associados. 

A segunda opção é a De Volksuniversiteit Wageningen (Universidade Aberta de Wageningen), uma instituição que oferece cursos de inglês a preços mais baixos, a partir de 199 euros por semestre, mais o livro de estudos que custa 35 euros. É interessante observar que os cursos sempre começam em setembro e terminam em abril ou maio, conforme calendário padrão europeu. 

Como terceira opção apresento o Student Plus, que na verdade é um método com tutoria oferecido em diversas cidades do interior da Holanda. Não vou nem posso avalia-lo, mas foi uma indicação de uma colega holandesa. Pela apresentação do site e serviços oferecidos parece uma boa opção, já em relação aos preços me parece que cada negociação deve ser individual e de acordo com as necessidades do estudante. 

A quarta opção considero adequada para quem está engatinhando no inglês pois o curso é para iniciantes que tenham uma certa noção de inglês. O IxESN - Internation Exchange Erasmus Student Network (Rede Internacional de intercâmbio estudantil Erasmus) oferece cursos ministrados por estudantes falantes de inglês nativo (em geral dos Estados Unidos da América) a um valor simbólico de 12 euros. O curso é bom? Para iniciantes sim, especialmente porque haverá contato direto com falantes nativos, sem falar que as aulas são práticas e movem o estudante a se expressar em situações cotidianas.

Por quinto e último deixo as opções para aulas particulares, que podem ser muitas, mas é preciso procurar bem e ver as qualificações dos professores bem como avaliações dos estudantes. Pretendo não citar nomes, mas onde procurar, e neste sentido o melhor portal da Holanda é o Marktplaats, que é todo em holandês mas pode-se usar o Google Chrome que traduz a página inteira para o português. Também há o Speurders, que é um portal que tem de tudo, basta então perquisar encontrar as melhores avaliações. Indico também a intranet da Universidade de Wageningen, porém acessível apenas a quem tem o login, mas lá dá para encontrar ofertas dos próprios estudantes nativos que ministram aulas particulares. Em geral são cobrados 15 euros por hora/aula, mas há logicamente profissionais que cobram bem mais, assim vale a pena pesquisar e ver o que vale mais a pena, pois o importante é não ficar parado. Mas um nome em particular merece ser citado, Ward Cordes, professor de minha esposa, um nativo americano que leciona inglês em Wageningen ao preço de 17 euros por hora/aula. Considero o Ward o melhor custo benefício para aulas particulares dada sua didática que remete ao aluno a destravar o inglês em poucas aulas (email: wardc@chello.nl).

Para quem não é proficiente em inglês e vai ficar na Holanda por um curto período, não vejo vantagens em aprender o Holandês, creio que é melhor focar no aprendizado de inglês e aparar as “arestas” rumo à fluência, senão corre-se o risco de não aprender nem um nem o outro. Logicamente aprender algumas palavras básicas em Dutch não matam ninguém, a não ser o holandês que estiver ouvindo. Assim, tot ziens!



sábado, 20 de agosto de 2011

A estrutura acadêmica da Universidade de Wageningen (WUR)

A estrutura acadêmica da Universidade de Wageningen (WUR) segue o mesmo padrão brasileiro, graduação, mestrado e doutorado, entretanto para estes último há uma distinção vital que influencia diretamente na forma como são tratados e demandados pela universidade. A principal diferença é que, não somente na WUR, mas em toda Holanda, o doutorando é considerado um employee, integrando uma carreira como se fosse um pesquisador júnior, recebendo por isso um salário inicial de 1500 euros, podendo chegar a 2500 euros ao final do doutoramento (4 anos em média). Eis que então não é apenas uma relação estudantil para com a universidade, é mais do que isto, trata-se de um verdadeiro contrato de trabalho com deveres e obrigações, com o postulante a PhD integrando a equipe de pesquisadores e professores do grupo que estiver associado, tendo inclusive voz nas reuniões do grupo. 

Antes de ir adiante, é preciso compreender as diversas categorias de PhD Candidates, que é um conceito diferente em relação ao PhD Student. O primeiro é o Research Assistent (Pesquisador Assistente), que nada mais é do que um trainee empregado pela universidade, preparado para suprir as necessidades funcionais da própria universidade e que ao final será titulado PhD, seu contrato é indeterminado. O segundo é o Sandwich PhD (doutorando sanduíche), que é o estudante que inicia seus estudos na WUR, complementa seus estudos e pesquisa em outra universidade, mas recebe o título pela WUR, podendo ser financiado pela própria universidade ou por terceiros. O terceiro é o Staff PhD (doutorando), que tem um contrato temporário objetivando apenas o cumprimento do período de quatro anos do doutorado. O quarto é o Guest PhD Employee (doutorando convidado), que é um pesquisador que não tem um contrato com a WUR, mas sim com outras instituições financiadoras, e que desenvolvem sua atividades e pesquisas por um determinado período em Wageningen, recebendo o título de PhD pela instituição de origem. O quinto e último é External PhD, que é parecido com o Guest, a não ser pela possibilidade de receber o título também pela WUR, ou seja, um duplo doutoramento. 

Na Universidade de Wageningen sou enquadrado como Guest PhD Employee por ter vínculo com o Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural (PGDR) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e receber bolsa de estudos no exterior pela CAPES (Coordenação para o Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), recebendo o título (após a defesa de tese) de PhD pela minha instituição de origem. Embora seja um Guest há também uma relação de deveres e obrigações, com um cronograma a ser cumprido e uma série de responsabilidades, pois também passo a receber o “carimbo” de qualidade de WUR, desta forma o nível de exigência é o mesmo, podendo inclusive integrar quaisquer pesquisas da universidade. Sigo também uma rotina de trabalho, com horários (muito embora flexíveis), como em um trabalho comum, reportando à secretária minha ausências para fins de comunicação aos colegas que não raro marcam appointments (Obs.: Tudo que aqui é por appointment, nem que sejam 10 minutos, sempre deve-se marcar estas reuniões deixando bem claro sobre qual assunto irá se tratar, mesmo que sejam sobre amenidades). 

Para que possa desenvolver suas atividades, todo o PhD Candidate tem à sua disposição uma mesa, com um computador, sempre em uma sala compartilhada com outros doutorandos, assim como esta onde fica minha mesa, onde divido o espaço como apenas mais um doutorando: 

Mesa de trabalho e estudo

Vista da sala - 3º andar
Outro fato importante é que o PhD Candidate recebe um cartão da WUR que não é somente para fins de identificação, mas um cartão magnético que inclusive contém um saldo específico para imprimir quaisquer documentos a partir de um computador logado com seu nome de usuário e password. Este cartão permitir acessar as máquinas de café da Douwe Egberts , onde nos intervalos entre um texto ou outro, é possível pegar um café expresso, um cappuccino, um chá ou até um copo de água gelada. Nem preciso dizer que sem o cartão não se pode requisitar livros à biblioteca, mas com uma flagrante diferença em relação ao Brasil, o delivery. Como assim? Pois é, fiz uma reserva de alguns livros que me interessavam pelo site da biblioteca e para minha surpresa, na data prevista para retira-los e eles já se encontravam na mesa da secretária do me grupo de pesquisa, ou seja, nem precisei sair da cadeira. 

WUR Card
Outra coisa que deixa maravilhado qualquer pesquisador é ter praticamente todos os artigos científicos à disposição para download. Sim, é o paraíso dos artigos, basta fazer o login e acessar todos aqueles trabalhos ainda não cobertos pelo Periódico CAPES (que já é uma excelente base de acesso). Para que se tenha uma idéia, certo dia resolvi fazer um teste com o currículo de uma autora que é central em minha tese, resultado, baixei 100% de todos os artigos da autora, incluindo capítulos de livros, e mesmo ebooks completos, isto de forma legal e disponibilizado pelos contratos de acesso da Universidade. 

Quer aprender um novo idioma ou melhorar o inglês? Não tem problema, há o Language Service, que oferece uma série de cursos de idiomas em todos os níveis, tais como inglês, francês, espanhol, Holandês (dutch), ou mesmo cursos de desenvolvimento pessoal, como por exemplo o curso de oratória (em inglês). Estudar cansa a mente? Então há a possibilidade de relaxar e praticar atividades físicas no Sports Centre de Bongerd (SCB), que disponiliza academia, quadra de tênis, squash, natação, entre outros, assim não há desculpas para não praticar esportes, ainda mais pela taxa de 70 euros mensais (para PhDs), que se for pensar bem, considerando o nível do centro de esporte, é uma taxa baixa. 

Há facilidades adicionais, mas isto é uma descoberta pessoal, pois posso dar algumas dicas mas a caminhada é individual, cada um deve buscar, segundo seus objetivos e prioridades, o que mais lhe interessa e aproveitar este período que é único, não importando a idade (nunca é cedo ou tarde demais para fazer um doutorado, cada um tem seu tempo). Também é preciso sair efetivamente do Brasil e abraçar de fato a experiência, procurando centrar-se no que se está fazendo no momento, pois senão corre-se o risco de viver na Holanda e ainda ter a impressão de que se mora no Brasil. A escolha é sua. 

domingo, 14 de agosto de 2011

A mobilidade urbana que sobra na Holanda e falta no Brasil

Segundo o Ministério das Cidades (PlanMob, 2007), a “Mobilidade urbana é um atributo das cidades, relativo ao deslocamento de pessoas e bens no espaço urbano, utilizando para isto veículos, vias e toda a infraestrutura urbana”. Este é um conceito normativo, que não é meu objetivo discutir aqui, sequer iniciar uma discussão teórica maçante e tampouco produtiva, o que quero mesmo é despertar a reflexão sobre o direito de ir e vir, sobre a liberdade de mover-se nas cidades e entre as cidades sem que isto seja um pesadelo ou um sacrifício. 

A mobilidade urbana deveria ser um direito de todos, homens, mulheres, pessoas com mobilidade reduzida ou algum tipo de deficiência, idosos, crianças, gestantes, todos sem discriminação, tal como prevê a Constituição Federal. Porém, esta não é a realidade brasileira, com cidades criadas sob uma lógica “burra” onde somente alguns privilegiados possuem o passaporte da felicidade para estarem aonde desejam, sempre que quiserem. Mobilidade urbana é poder utilizar um transporte público de qualidade que trafegue sob vias pensadas para desafogar e não afogar o trânsito, é ter várias outras opções além do carro para se chegar a um destino, é poder andar de bicicleta com segurança e caminhar nas calçadas planejadas para evitar tropeços eventuais. 

Infelizmente o Brasil só foi pensado para uma única possibilidade de locomoção, o automóvel. Não interessa mais discutir onde erramos em nossa história, mas sim onde não erraremos mais. Não pretendo fazer uma apologia à perfeição da mobilidade urbana na Holanda, porque esta perfeição não existe, porém quando percorro alguns quilômetros de bicicleta rumo à universidade, mesmo sob chuva ou garoa, pedalando sobre uma ciclovia, percebo que ainda estamos distantes de um país realmente desenvolvido. Muito pensarão que isto é apenas conversa de um estudante maravilhado que vive em uma cidadezinha sem problemas do interior da Holanda, mas digo que não é, quem conhece Amsterdam, com seus quase 800 mil habitantes, ou Berlim (Alemanha), com seus mais de 3,4 milhões de habitantes, reconhece isto. 

Estacionamento de bicicletas do Shopping Hoog Catharijne (Utrecht)
Fonte: arquivo pessoal
Mas o que há de diferente na Holanda? Primeiro que quando eles tiveram dinheiro sobrando em caixa investiram pesado na infraestrutura do país, algo que o Brasil está tendo a oportunidade de fazer agora com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Segundo, eles acertaram nas escolhas adaptadas a cada tipo de cidade, e por último e terceiro há o aspecto educação, nas escolas e no trânsito. Há acidentes de trânsito? Sim, há, mas são raros os acidentes graves. E sobre os congestionamentos de trânsito? Sim, também há e é um grave problema de Amsterdam, porém a partir de 2012 será cobrada uma taxa de 3 centavos de Euro por quilômetro rodado, chegando a 6,7 centavos em 2017, além do mais todo veículo deverá ter obrigatoriamente um GPS afim de se encontrar as opções alternativas para se chegar a um destino. Veja reportagem http://is.gd/ueEQhE.

Tanta taxação sobre o uso os automóveis requer um bom sistema de transporte público e o da Holanda é exemplar. Em qualquer ponto de ônibus há a indicação do horário de cada linha, com um sistema pensado para a interligação com trens, bondes e metrôs em sincronia, tudo funcionando pontualmente. Ok, sim, há atrasos especialmente nas estações de trens, sem falar em algumas mudanças abruptas de horários no displayers nas estações e pontos, mas nada que tire a comodidade do sistema, que pelo menos avisa sobre eventuais atrasos. O fato é que em geral o horário é cumprido rigorosamente, e nos minutos, se um trem ou ônibus está programado para 17h04 não adianta chegar 17h09, já foi, perdeu. Além de tudo, o transporte é limpo e confortável, e os motoristas de ônibus não apostam corrida ou freiam abruptamente, eles sabem perfeitamente que estão transportando cidadãos, não importando sua classe social. Há também no Brasil bons exemplos de transportes públicos bons, como em Curitiba, mas estes são exceção, não regra. 

Quando você chega na Holanda observa que uma “rua” é composta por duas vias, a rua em si, por onde trafegam os carros, a via para as bicicletas e ciclo motores de baixa velocidade. Esta é lógica, cada um no seu canto, seguindo regras de trânsito, inclusive aplicadas aos ciclistas, que podem ser multados se ultrapassarem o sinal vermelho ou não acenderem as luzes da bike durante a noite (conheço brasileiro que conseguiu ser multado por isto na Holanda). 

Eu e meu meio de transporte na Holanda
Assim, a primeira coisa que deve ser adquirida na Holanda é uma bicicleta, todos tem, todos pedalam, não importa a idade, trata-se de um orgulho nacional, e a oferta de bikes é imensa, para todos os bolsos. Aliás, o ofício do bicicleteiro é bem valorizado e bem pago por aqui, fato que percebi quando levei a minha para uma revisão logo após a compra por uma bagatela de 70 euros (bike usada), recebendo uma conta de 50 euros entre acessórios, trava de segurança e revisão elétrica, do total 15 euros só de serviços. Trava? Sim, nem pense em não ter cadeado ou trava na bicicleta se não já era, e se tiver a bike roubada não adianta nem reclamar. Diz a lenda que certa vez um brasileiro teve sua bike roubada e revoltado dirigiu-se a um policial para perguntar onde ficava a delegacia para fazer um registro de ocorrência, no que teve uma inesperada resposta: “Ah, quando eu era adolescente, eu também roubei uma bicicleta.” Contradições da Holanda. 

Centro de Amsterdam - observe as ciclovias (faixas mais escuras)
Fonte: arquivo pessoal

Para períodos curtos na Holanda aconselho a comprar uma bicicleta usada, em Wageningen, por exemplo, basta ir à praça de alimentação em volta da Igreja às quartas ou sábados que há diversos modelos à venda, mas preste atenção, observe sempre aqueles dois itens importantíssimos, trava de segurança (no freio) e mini faróis dianteiros e traseiros (obrigatórios), no mais é só sair pedalando. Quer uma bike novinha em folha? Sem problemas, tem em todo lugar, mas aconselho a ir em lojas especializadas, lá é possível encontrar desde as mais simples por 200 euros em média até de modelos de 3.000 euros, mas uma boa bicicleta, completíssima, sai entre 700 e 800 euros. Tem um modelo que gosto muito, a bicicleta dobrável, que é vendida também no Brasil, é muito útil pela possibilidade de levá-la para qualquer canto, facilita em muito, por exemplo, em uma viajem de trem; nada mais prático por exemplo do que chegar em Haia, Roterdam ou Amsterdam e já sair pedalando para quaisquer lugares. E vamos largar de frescura minha gente, abandonar este mentalidade de pseudo-riqueza e pedalar, é saudável para a natureza, para o próprio corpo e para o bolso (parte mais importante do corpo para muita gente).